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Rádio Guarujá
Ponte pênsil, suspeita de ‘fura-fila’ na saúde e balanço da Festa de Rio Laranjeiras marcam sessão da Câmara de Orleans
Por Rádio Guarujá05/08/2025 13h06
Foto/Redação
Na noite desta segunda-feira (4), a Câmara de Vereadores de Orleans realizou a 28ª sessão ordinária de 2025.
Um dos principais assuntos da sessão foi a aprovação, em caráter de urgência, do Projeto de Lei nº 45, de 1º de agosto de 2025. A proposta, aprovada por unanimidade e com dispensa de pareceres das comissões, reconhece despesas de exercícios anteriores da gestão do ex-prefeito Jorge Koch e autoriza o prefeito Fernando Cruzetta a liquidar e pagar a empresa responsável pela reconstrução da ponte pênsil da comunidade de Santa Clara.
O líder do governo, vereador Osvaldo Cruzetta (PP), explicou que a ponte, localizada próxima à igreja e que dá acesso às duas margens do rio, foi danificada pelas fortes chuvas de 2023. A obra chegou a ser iniciada, mas não foi concluída, e a empresa aguardava o pagamento de uma nota emitida no ano passado.
“É um projeto já do ano passado, uma ponte pênsil da comunidade de Santa Clara que foi iniciada e não foi terminada. O prefeito conversou com o pessoal da empresa e, como o recurso da Defesa Civil entrou agora, nós aprovamos em votação única para que ele possa fazer esse pagamento e a empresa retome a obra”, afirmou.
Osvaldo esclareceu que o valor já está empenhado, mas não será suficiente para concluir os trabalhos. “Ainda precisa terminar a obra, e parece que esse recurso não vai ser suficiente. O prefeito vai precisar complementar para pagar o restante, se for necessário”, disse.
A expectativa é de que, com o pagamento autorizado, a empresa retome o serviço o quanto antes e a comunidade volte a ter a travessia restabelecida.
Requerimento sobre suposto fura-fila na saúde
O debate sobre a fala da vereadora Marlise Zomer (PSDB) na sessão anterior, quando o secretário de Saúde, Paulo Conti, esteve na Câmara, voltou à tona. Na ocasião, Marlise teria dado a entender que é possível “mexer” no sistema regulador de saúde, o que gerou questionamentos sobre a possibilidade de favorecimento no atendimento.
A vereadora Jana Coan (PL) apresentou requerimento solicitando informações sobre o funcionamento do sistema regulador nos últimos quatro anos e sete meses, abrangendo a gestão de Jorge Koch e os sete meses da gestão Fernando Cruzetta.
“Seríamos covardes se não investigássemos e não déssemos uma resposta à população. Houve fura-fila? Vamos investigar. Não houve? Que bom. Isso é grave, pode custar vidas, e se houver culpados, que eles paguem por isso”, declarou Jana.
Campo da Pindotiba com problemas antes da entrega
O vereador Leandro Martins (PSD) usou a tribuna para criticar a reforma do campo da comunidade da Pindotiba. Segundo ele, mesmo sem a obra ter sido oficialmente entregue, já há problemas como forro furado, portas de alumínio que não fecham e erros na instalação de banheiros.
“Levei o caso ao prefeito, que disse que vai notificar a empresa e tentar bloquear o pagamento até que tudo seja corrigido. É uma obra muito mal feita”, afirmou.
Prestação de contas da Festa das Laranjeiras
Durante a sessão, o vice-presidente da Festa de Rio Laranjeiras, Valmir Dorigon, esteve na tribuna para apresentar a prestação de contas do evento, que é tradicionalmente marcado pela “maior fogueira do Sul”. Apesar de ter sido realizado em um fim de semana de chuva intensa, o balanço financeiro e de público foi positivo.
Valmir explicou que a associação de moradores da comunidade, responsável pela organização, elaborou um plano de trabalho e apresentou o projeto ao poder público para viabilizar recursos.
O evento recebeu um fomento de R$ 35 mil da Prefeitura de Orleans, aplicado em R$ 26.200 para custear a estrutura do pavilhão, segurança privada e banheiros químicos, além de R$ 12.300 para a montagem da fogueira, aquisição de fogos de artifício e contratação de profissional especializado para garantir a segurança durante o espetáculo pirotécnico. Além disso, a Coorsel destinou R$ 5 mil para apoiar a tradicional cavalgada.
Mesmo com as condições climáticas adversas, o planejamento antecipado possibilitou minimizar os impactos da chuva. “A gente sabia que ia chover, então nos preparamos, montamos coberturas e fizemos um esquema para garantir que tudo corresse bem. Graças a Deus, os números foram bons, não podemos reclamar. Vendemos toda a rifa 40 dias antes da festa e tivemos um retorno positivo”, relatou Dorigon.
Ele também destacou que, além do aspecto financeiro, a festa mantém viva a tradição da comunidade. “Vale a pena todo o trabalho porque é gratificante. É um serviço voluntário, feito pela nossa comunidade, e ver o pessoal participando nos motiva. Já estamos nos organizando para o próximo ano”, concluiu.
Lançamento de livro
Também foi lançado no plenário o livro Comunidades Rurais e Urbanas de Orleans: origem, histórias, etnias e aspectos culturais, escrito por Andréa Debiasi e Terezinha Debiasi Carminati, obra que resgata a memória e identidade do município.
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Quadro “Simplificando a Previdência” destaca importância do planejamento para aposentadoria segura
Por Rádio Guarujá04/08/2025 14h07
Foto/redação
Toda primeira segunda-feira do mês, o Jornal da Guarujá apresenta o quadro “Simplificando a Previdência”, com os advogados Charlene Cruzetta e Marcos Antônio Durante Bussulo, especialistas em Direito Previdenciário e sócios no escritório Bussulo & Cruzetta Advogados Associados. Nesta edição, o advogado Marcos Bussulo abordou a importância do planejamento previdenciário, especialmente após a reforma da Previdência.
“Não dá pra ficar sem planejamento previdenciário. Um erro de escolha de um tipo de benefício vai refletir na vida toda da pessoa. É a aposentadoria da pessoa”, destacou Bussulo logo no início da conversa. Segundo ele, antes da reforma, a contagem do tempo de contribuição era o suficiente para prever a aposentadoria. Hoje, no entanto, a análise exige muito mais atenção.
“O planejamento previdenciário está muito longe de ser aquela simples soma de tempo de contribuição. Antes, se fazia uma conta simples. Agora temos cinco regras diferentes”, explicou o advogado, citando, entre elas, regras por idade mínima, pontos e pedágios de 50% e 100%.
Durante o quadro, Bussulo apresentou casos reais em que o planejamento antecipou a aposentadoria em até quatro anos e resultou em economia de mais de R$ 60 mil para segurados. “A pessoa pagou uma indenização de R$ 7 mil de contribuições passadas. Ela não tinha o dinheiro na hora, mas viu que valia a pena, porque iria antecipar quatro anos de aposentadoria. Depois, ela vai receber muito mais que isso”, contou.
Segundo o advogado, o planejamento previdenciário permite a análise de todo o histórico contributivo do trabalhador, identificando períodos em que ele deixou de contribuir, como no caso de autônomos que interrompem pagamentos. “É possível pagar retroativamente e recuperar esse tempo, desde que se faça o cálculo correto. Mas é importante lembrar: nem sempre vale a pena. Às vezes o pagamento retroativo conta para tempo, mas não para carência”, alertou.
Quando começar a planejar?
Para Marcos Bussulo, não existe idade mínima para começar a planejar a aposentadoria, mas a recomendação é que isso ocorra a partir dos 40 anos. “A gente planeja faculdade, casamento, viagem, mas não pensa em planejar a aposentadoria. A vida passa rápido. Então faz todo sentido pensar nisso com antecedência”, afirmou.
Ele destacou ainda que trabalhadores CLT não conseguem alterar o valor de contribuição, pois o desconto é fixo. Já autônomos, empresários, PJs e contribuintes facultativos podem sim planejar quanto e como contribuir, o que amplia as possibilidades. “Existem alíquotas diferentes. Recentemente, fizemos uma mudança de alíquota para um engenheiro e ele economizou mais de R$ 100 mil. Isso muda a vida da pessoa”, exemplificou.
O advogado também falou sobre a possibilidade de donas de casa, diaristas e estudantes contribuírem como segurados facultativos. “Muita gente não sabe, mas é possível contribuir mesmo sem vínculo empregatício. E pode ser com alíquota reduzida, de 11% sobre o salário mínimo”, disse.
Essa contribuição garante, além da aposentadoria, proteção para os dependentes. “Estamos falando do cônjuge, companheiro ou filhos. Essa simples contribuição protege a família no futuro. E passa rápido. A gente acha que 15 anos é muito, mas quando vê já passou”, pontuou.
Planejamento também garante benefícios em caso de doença
Outra vantagem citada por Bussulo é a cobertura em casos de afastamento por problemas de saúde. “Para ter direito a um auxílio-doença, por exemplo, é preciso ter no mínimo 12 contribuições. E o ideal é que isso ocorra antes da pessoa adoecer. Se contribuir depois, pode ter dificuldades no INSS”, explicou.
O advogado alertou para a importância de buscar orientação especializada antes de fazer contribuições retroativas. “Tem gente que trabalhou como autônomo há 20 anos e quer pagar agora. Mas pode não valer a pena. Às vezes a pessoa perdeu a qualidade de segurado e o pagamento só vai contar como tempo, não para carência”, explicou.
Com mais de 15 anos de atuação, o escritório Bussulo & Cruzetta Advogados Associados oferece planejamento previdenciário e outros serviços jurídicos. Os atendimentos podem ser agendados pelos telefones (48) 3192-1224 ou (48) 98426-0245. O escritório está localizado na Rua Aristiliano Ramos, 184, Ed. Rita Damásio, Sala 201, no centro de Orleans.
Confira
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Supermercado São Pedro completa 47 anos com R$ 20 mil em prêmios, sorteios e “Sábado Black” durante todo o mês de agosto
Por Rádio Guarujá01/08/2025 10h13
Foto/Redação
O Jornal da Guarujá recebeu na manhã desta sexta-feira, 1º de agosto, o gerente do Supermercado São Pedro de Orleans, Dilnei Scremin Sebastião, e o supervisor comercial da Rede de Supermercados São Pedro, Arcilesio Bonetti. Eles anunciaram as atrações da campanha de aniversário da rede, que celebra 47 anos de história com uma programação especial e muitos prêmios ao longo de todo o mês de agosto.
Presente há seis anos em Orleans, o Supermercado São Pedro foi fundado por Ivo Serafim, inicialmente como uma pequena mercearia no bairro São Pedro, em Urussanga. “A gente costuma dividir em duas fases: a primeira geração com o seu Ivo, e depois a nova geração com o Ivan e a Gisiana Serafim, que deram um novo foco à rede”, explicou Arcilesio.
A programação de aniversário conta com promoções diárias, sorteios, sorteios instantâneos e o tradicional “Sábado Black”. “Durante todo o mês de agosto, em todas as nossas lojas, cada R$ 100 em compras dá direito a um cupom para concorrer a prêmios. Se a compra for de R$ 1.200, por exemplo, o cliente recebe 12 cupons”, explicou Dilnei.
Prêmios e sorteios
Serão até R$ 20 mil em prêmios, distribuídos em 11 sorteios de vale-compras e sorteios instantâneos das chamadas sacolas premiadas. “Todos os sábados, cada loja sorteará três sacolas premiadas. O sistema faz o sorteio automático no caixa, no momento da finalização da compra”, detalhou o supervisor comercial.
Além disso, os sorteios dos vale-compras acontecerão ao vivo no dia 1º de setembro. Cada unidade da rede (Orleans, Urussanga, Morro da Fumaça e Cocal do Sul) terá dois ganhadores de vale-compras de R$ 1 mil. Ao final da campanha, haverá um prêmio extra de R$ 2 mil. “A vantagem é que o cliente concorre apenas com os cupons da loja onde comprou, o que aumenta bastante as chances”, destacou Arcilesio.
Sábado Black durante todo o mês
Tradicional nas lojas da rede, o “Sábado Black” — dia de ofertas especiais e grandes descontos — será realizado em todos os sábados de agosto. “Serão cinco sábados com ofertas imperdíveis. É uma forma de agradecer aos nossos clientes e também atrair novos consumidores”, comentou o gerente.
Durante a entrevista, os representantes da rede destacaram os diferenciais da loja de Orleans, que conta com estacionamento coberto, novas vagas recém-adquiridas e três acessos distintos. “Sempre buscamos oferecer mais conforto. Recentemente, abrimos mais vagas de estacionamento com a aquisição de um terreno ao lado”, afirmou o supervisor comercial.
Outro destaque é a variedade de produtos. “Temos um mix muito amplo, um açougue com atendimento personalizado, hortifrúti com promoções às quartas e sextas, uma padaria completa, além de adega e grande variedade de cervejas”, acrescentou.
Cartão São Pedro
A rede também oferece o Cartão São Pedro, um cartão de crédito exclusivo para compras na rede. “O cliente pode fazer o cadastro na loja, apresentar comprovante de renda e residência, e já sai com limite aprovado. Dependendo da data da compra, o prazo de pagamento pode chegar a 59 dias, sem taxas ou anuidade”, explicou o gerente.
Celebração nas lojas
No dia 16 de agosto, todas as lojas da rede terão comemoração especial com corte de bolo e ações festivas com os clientes. E a campanha de aniversário ainda contará com uma live nas redes sociais da Rede São Pedro, com sorteios e outras surpresas.
“Esperamos todos vocês durante todo o mês de agosto. Serão promoções diárias, de segunda a segunda. Um verdadeiro mês de festa e gratidão pelos 47 anos de confiança dos nossos clientes”, finalizou Arcilesio.
Confira entrevista completa
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Brasil é alvo de tarifa e sanção nos EUA: o que está por trás dos novos movimentos de Trump
Por Rádio Guarujá31/07/2025 11h31
Foto/Arquivo Agecom
Em mais um capítulo da crescente tensão nas relações comerciais e diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos, o presidente norte-americano Donald Trump anunciou nesta quarta-feira, 30, a aplicação do pacote tarifário, apelidado de “tarifaço”, que prevê aumento de 50% nas tarifas de diversos produtos brasileiros. No entanto, cerca de 700 itens acabaram sendo excluídos da medida, o que trouxe algum alívio ao governo federal. Por outro lado, Trump surpreendeu ao incluir o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), na lista da Lei Magnitsky — uma legislação que prevê sanções a indivíduos acusados de corrupção e violação de direitos humanos.
Para analisar o impacto econômico e político desses desdobramentos, o Jornal da Guarujá conversou com o economista, cientista político e professor Enio Coan, que classificou o momento como delicado e alertou para a necessidade de maior protagonismo do Brasil nas negociações internacionais.
Apesar da exclusão desses itens, Coan é enfático ao afirmar que o governo brasileiro não deve comemorar. “Não, não tem que comemorar nada por enquanto, não. Aliás, ele também prorrogou o prazo de entrada em vigor, assinou o decreto, mas deu mais uma semana, digamos assim, para tentativa de negociações.”
O economista criticou a postura passiva do governo brasileiro diante da medida. “O que é de a gente estranhar bastante é que o governo brasileiro não tomou iniciativa nenhuma para sentar, negociar e tal. Então ficou esperando, ficou na expectativa. E agora tem que correr.”
Produtos isentos e prazos de transição
Apesar do aumento tarifário, uma série de itens ficou isenta das tarifas adicionais. Além de produtos específicos, outra exceção se aplica a mercadorias que já estavam em trânsito antes da entrada em vigor da ordem. Para isso, os produtos precisam chegar aos Estados Unidos até 5 de outubro, garantindo que não sejam impactados.
Confira os principais itens isentos pelo decreto:
Castanha-do-brasil
Suco e polpa de laranja
Fertilizantes
Artigos de aeronaves civis não militares
Produtos de ferro, aço, alumínio e cobre
Madeira
Celulose
Metais e minerais como silício, ferro-gusa, alumina e estanho
Diversos tipos de carvão, gás natural, petróleo e derivados
“Quem vai pagar mais caro é o consumidor americano”
Coan esclareceu que o impacto imediato não recai sobre os brasileiros. “O impacto que existe para a economia, vamos falar em Santa Catarina ou também para o Brasil todo, não é em cima do consumidor brasileiro. Muita gente tem me perguntado: vai ficar mais caro isso, vai ficar mais caro aquilo? Sim, se o Brasil retalhar, sim.”
Ele explica que a tarifa atinge empresas dos EUA que compram do Brasil. “Mas quem vai pagar mais caro pela taxa imposta pelo Trump é o consumidor americano. São os produtos que nós mandamos para lá.”
Santa Catarina na linha de frente das exportações
O professor destacou que Santa Catarina deve sentir mais diretamente os efeitos da medida. “Santa Catarina é um estado bastante dependente de exportações, porque é o estado mais dinâmico do Brasil e tem uma diversificação industrial bastante grande.”
Ele cita setores que devem ser atingidos. “O estado trabalha em muitos setores, e muitos são setores preparados para a exportação, como é o caso da madeira. Móveis e madeira de todos os tipos, beneficiadas, painéis, madeiras cerradas, apesar de isenção de alguns itens de madeira, ainda tem um impacto forte.”
“Faltou iniciativa do Brasil”
Coan também criticou a condução diplomática do governo brasileiro. “Os americanos estiveram muito abertos, como estiveram com todos os países. Se eles sentaram com a grande maioria dos países do mundo e não sentaram com o Brasil, é porque houve falta de interesse, falta de iniciativa do Brasil.”
Segundo ele, a equipe brasileira foi montada tarde e sem planejamento. “Só montaram uma equipe de negociação agora, nos últimos dias, e foram aos Estados Unidos sem agenda. Quer dizer, vão bater na porta para pedir licença. E aí é muito complicado isso das relações internacionais.”
Câmbio alto pode aliviar impactos
Apesar do cenário desafiador, Coan vê na taxa de câmbio um fator que pode ajudar os exportadores brasileiros. “Nós temos uma folga, eu creio, muito grande e que não tem sido comentada, que é o câmbio. A nossa taxa cambial está exageradamente alta.”
Ele explica que isso pode gerar compensações. “Os exportadores brasileiros podem compensar uma parte da taxa imposta ao produto com queda do preço em dólar para exportar. Então essa folga pode ajudar na hora de sentar e negociar.”
Coan também comentou o embate político que tem marcado as relações entre os dois países. “Os Estados Unidos exercem liderança mundial, tanto na questão econômica quanto nas questões políticas. A geopolítica global, digamos assim, ou a política mundial, passa pelos Estados Unidos. Eles ditam regras.”
Na visão do professor, não cabe ao Brasil tentar impor condições. “Não há como o Brasil tentar impor alguma coisa aos Estados Unidos. Tem que negociar.”
Lei Magnitsky
A inclusão do ministro Alexandre de Moraes na Lei Magnitsky foi interpretada por Coan como um sinal claro do incômodo americano com os rumos da Justiça brasileira. “É exatamente essa questão de exagero que nós estamos presenciando aqui no Brasil e que está repercutindo na arena internacional.”
Segundo ele, os EUA não tomaram essa decisão de forma repentina. “Os Estados Unidos estavam observando o Brasil de longe há bastante tempo, já inclusive desde antes do governo Lula, com os outros que passaram, as outras gestões, digamos assim, do governo que se diz de esquerda no Brasil.”
Ele citou ainda episódios que contribuíram para o desgaste da imagem brasileira no exterior. “Já desde o caso Petrobras, que fez com que muitos americanos perdessem dinheiro com investimentos brasileiros feitos de forma errada. Ficou uma mancha muito grande na questão da relação econômica internacional no Brasil.”
Coan vê a atuação do STF como excessiva e aponta uma crise de legitimidade institucional. “Eles estão vendo que há um exagero judiciário brasileiro. Há um exagero da nossa justiça maior, digamos, daqueles que deveriam ser os guardiões da Constituição, estão sendo delegacia de polícia.”
E acrescenta: “O ex-presidente Jair Bolsonaro, na minha opinião, está apenas sendo uma das figuras usadas como exemplo. Fala-se em democracia no Brasil, mas me parece que democracia tem lado.”
Coan encerra com um alerta para o governo brasileiro: “Tudo precisa ir para a matemática, não é só na conversa política. O Brasil precisa sentar, tem que negociar, tem que trabalhar. O momento exige mais profissionalismo e menos ameaça.”