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Rádio Guarujá
Joel Cavanholi reassume a presidência da Câmara de Orleans e diz que polêmica sobre articulação na mesa diretora é “dor de cotovelo”
Por Rádio Guarujá09/12/2025 12h39
Foto/Arquivo Redação
O vereador Joel Cavanholi volta a ocupar, nesta terça-feira (9), a presidência da Câmara de Vereadores de Orleans após oito dias atuando como prefeito em exercício. O retorno ocorre às vésperas da eleição da nova mesa diretora, marcada para segunda-feira, dia 15, e que deve confirmar o vereador Murilo Hoffmann (Novo) como presidente
Cavanholi admitiu ter ficado incomodado com as falas de Dovagner. “Eu fico aborrecido, sabe? Porque estão mexendo numa coisa que eu já falei. Eu já dei o meu contexto em relação ao que está acontecendo na mesa diretora”, afirmou.
Segundo ele, houve conversas com quase todos os vereadores sobre a eleição. “Conversei com a Mirelle (PSDB), conversei com a vereadora Chiquetosa (Marlise Zomer) (PSDB) e conversei com o Dovagner (MDB). A única que eu não conversei foi com a Maiara (MDB). Nunca neguei isso.”
Sobre a entrevista concedida pelo vereador Dovagner Baschirotto ao Jornal da Guarujá, nesta segunda-feira, 8, Cavanholi diz que interpretou as críticas como uma tentativa de aumentar o desgaste político. “Estão querendo fazer um alarde. Quanto mais falam meu nome, mais estão colocando em evidência.”
O presidente relatou ainda que durante a sessão da Câmara de Vereadores, ocorrida ontem, Dovagner o procurou para amenizar a situação:. “Ontem o Dovagner me procurou na sessão e me disse pra não levar para o coração. Ele sabe que é coisa política.”
Para Cavanholi, o movimento é motivado por ressentimento. “É dodói, é dor de cotovelo. Eu nunca tive oportunidade? Como eu tive oportunidade, estou sabendo aproveitar.”
Atuação como prefeito em exercício
Durante os oito dias em que assumiu o Executivo, Cavanholi afirmou que aproveitou o período para agilizar demandas represadas. Ele citou ações como:
2.330 exames liberados, que estavam parados havia três meses;
encaminhamento para 30 novas casas pela área social;
R$ 776 mil em emendas destinadas na última semana;
articulação de quase R$ 1 milhão em recursos previstos para fevereiro;
R$ 229 mil para reforma do pronto-socorro.
Joel Cavanholi afirma que os dias em que esteve à frente da administração municipal de Orleans representaram um período de grande aprendizado. “Fui amadurecendo muito. Sei como funciona o Executivo por dentro agora. Isso é aprendizagem e fortalecimento.”
Estratégia e articulação na mesa diretora
Durante a entrevista, Joel Cavanholi reconheceu que atuou para tentar influenciar a composição da mesa diretora. “Obviamente, eu sou um cara esperto. Eu não ia deixar a mesa diretora, com certeza. Se não houvesse outra alternativa, fui buscar sim alternativa pra botar a mesa diretora numa mão certa, não errada.”
Ele afirmou que colocou seu próprio nome e o da vereadora Jana Coan (PL) como possibilidades, e que isso era conhecido internamente. “Dei o nome da Jana, sim. Dei o meu nome. O próprio Fernando Cruzetta (PP) sabia disso. Conversei 60 dias com eles. Foi uma tática minha.”
O vereador criticou colegas que, segundo ele, interpretaram a movimentação como traição. “Essa conversa que ele (Dovagner) falou aí é falta de ética dele. Era a oportunidade dele também de ser presidente da Casa, mas assim, ele perdeu a dele.”
Relação com Murilo Hoffmann e posição para o dia 15
Questionado sobre o voto para a presidência, o vereador afirmou que ainda não houve uma conversa formal com o candidato favorito: “O Murilo Hoffmann não me procurou ainda. A gente jantou junto no CTG, ele disse que precisávamos conversar, mas ainda não me procurou. Para a mesa diretora é necessário conversar, tem que alinhar. O Murilo tem respaldo, mas precisamos ajustar. Não conversamos por falta de oportunidade ou porque ele quer achar o momento correto.”
Ainda durante a entrevista Joel pediu responsabilidade aos vereadores no ano pré-eleitoral.“O que não pode é o ano que vem Orleans cair em mãos erradas e travar. Temos bom índice de arrecadação, temos o governador ao nosso lado. Não podemos travar o gestor.”
Segundo ele, a disputa interna não pode prejudicar a população. “Não podemos errar. Não podemos ser incoerentes. A população já sofre muito.”
O vereador e presidente do legislativo orleanense falou também sobre os ataques sofridos desde o início de seu mandato. “Desde a primeira sessão ficam querendo bater em mim. Quanto mais vocês me batem, mais eu apareço e mais eu faço pela população.”
E mesmo diante de todo embate sobre a eleição para a mesa diretora, Cavanholi garante que da parte dele esta é a ultima vez que ele fala sobre o assunto. “Isso é dor de cotovelo e para mim acabou. Eu enterro isso. Vocês querem continuar? Vão falando, mas eu não vou mais entrar nesse jogo.”
Ao final da entrevista o vereador disse querer estabilidade e maturidade política no próximo ano. “Entrei de cabeça erguida e vou sair de cabeça erguida da presidência. Eu tenho esperança que teremos uma Orleans ainda melhor. É isso que eu torço como cidadão e como político.”
A eleição da mesa diretora ocorre na segunda-feira (15), na última sessão ordinária do ano, e deverá definir o comando político da Câmara para 2026.
Leite, arroz, soja e milho: FAESC detalha por que 2025 virou um ano de crise para o agro
Por Rádio Guarujá09/12/2025 12h37
Foto/Reprodução
A agricultura brasileira atravessa um momento decisivo e de forte pressão econômica em praticamente todas as cadeias produtivas. A avaliação é do vice-presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (FAESC), Enori Barbieri, que conversou com o Jornal da Guarujá na manhã desta terça-feira, 9.
Segundo Barbieri, embora 2025 devesse ser um ano de comemoração, já que o país colheu “a maior safra agrícola de toda a história”, o cenário se transformou em motivo de preocupação. O motivo, explica, está na combinação entre a superprodução nacional e a grande oferta mundial. “Produzimos mais do que o necessário para o consumo, e isso trouxe inúmeros problemas, não só na venda dos produtos, como no preço pago ao produtor e no endividamento”, afirmou.
Com a renda comprometida e sem condições de quitar financiamentos, muitos produtores recorreram à Recuperação Judicial via CPF , mecanismo antes limitado a empresas. Segundo o dirigente, o movimento provocou impacto direto no setor financeiro e, especialmente, nas revendas e cooperativas que antecipam insumos. “Um terço da safra brasileira é custeado por empresas particulares. Essas empresas e o próprio sistema cooperativo precisam receber o dinheiro de volta para repassar aos órgãos de onde o recurso veio, mas muitos ficaram sem pagamento por causa da recuperação judicial”, explicou.
Esse bloqueio no fluxo financeiro, diz Barbieri, atingiu a nova safra. “ Muitos produtores ficaram sem recursos porque o preço dos produtos caiu muito”, destacou. Em um exemplo citado por ele, a saca de arroz de 50 quilos, que no ano passado era vendida por R$ 110 a R$ 115 no Sul do estado, hoje vale cerca de R$ 55. Situação semelhante se repete com cebola, alho, milho e soja.
Pressão também sobre o leite
O vice-presidente da Faesc afirma que o leite enfrenta um quadro ainda mais delicado. O aumento de produção impulsionado pelo baixo preço do milho que é usado como ração, sobrecarregou o mercado interno. “O Brasil aumentou a produção de leite em mais de 10%. Como não é um produto exportado, tudo ficou no mercado interno, que não absorve esse volume”, explicou.
Barbieri aponta ainda a ausência de políticas industriais para transformar o excedente em leite em pó, estratégia usada por países desenvolvidos. Porém, o fator mais crítico, segundo ele, é a continuidade das importações. “O grande problema está na teimosia do governo brasileiro em não diminuir as importações de leite em pó da Argentina e do Uruguai. Estamos trazendo muito leite de fora, tirando emprego dos brasileiros”, criticou.
Mesmo no Sul de Santa Catarina, onde a produção é naturalmente mais barata por causa da boa insolação, chuvas regulares e uso de dejetos da suinocultura como fertilizante, a margem de lucro praticamente desapareceu. Muitos produtores, principalmente os que investiram na modernização das propriedades, enfrentam juros elevados. “Com Selic a 15%, não há atividade do agro que pague esses investimentos com sobra. Os juros estão corroendo tudo”, afirmou.
Apesar da crise, Barbieri acredita que o equilíbrio deve voltar, mas não de imediato. “Vai demorar um pouco, mas vai melhorar. Alguém vai ter que reduzir produção, e quem conseguir atravessar essa barreira deve sobreviver a esse momento difícil”, avaliou.
Ele alerta, porém, que a situação exige atenção das autoridades. “Precisamos pensar no futuro da segurança alimentar brasileira. Uma crise prolongada pode comprometer o abastecimento e gerar inflação, afetando famílias que já enfrentam dificuldades”, concluiu.
Estaciona Orleans completa primeira semana de operação com boa adesão e dúvidas sobre cartões antigos
Por Rádio Guarujá08/12/2025 10h56
Foto/Redação
O estacionamento rotativo voltou a funcionar na área central de Orleans no dia 26 de novembro, inicialmente em fase educativa. Desde 1º de dezembro, a cobrança e a fiscalização do Estaciona Orleans passaram a valer oficialmente. Para avaliar os primeiros dias do serviço, o Jornal da Guarujá conversou com Sílvio Ambrósio, gerente de departamento e responsável pelo sistema.
Segundo Ambrósio, a primeira semana foi considerada positiva. Ele afirma que houve grande procura de usuários para regularizar saldos do antigo aplicativo e entender as novas regras. “Essa primeira semana para nós foi bem produtiva. Tivemos um número alto de pessoas que nos procurou em relação a ter o crédito no aplicativo anterior, para fazer essa transição para o novo app Estaciona legal”, explica.
Ambrósio avalia que a população recebeu bem o retorno do rotativo: “A grande maioria das pessoas que faz uso do estacionamento rotativo aprovou e estão satisfeitas com o retorno”.
Três formas de uso: cartão físico, aplicativo ou QR Code
O novo modelo oferece três alternativas ao motorista:
Pagamento via QR Code: disponível em pontos específicos para visitantes ou pra quem não quer baixar o app.
“Ele pode ler o QR Code, abrir a vaga e fazer o pagamento via Pix. Cai rápido no sistema e já libera o estacionamento”, detalha Ambrósio.
Atualmente, apenas uma monitora atua nas ruas, em regime de rodízio. O número é temporário: “Estamos com um processo seletivo que finaliza no dia 19 de dezembro. Para 2026, teremos monitores para contemplar todos os oito setores”, afirma.
Cartões antigos: saldo no app será revertido, mas cartão físico ainda não
Uma das principais dúvidas diz respeito aos créditos do sistema anterior. Segundo Ambrósio, a reversão só vale para quem tem saldo no aplicativo antigo, desde que o usuário baixe o app atual.
“O importante é que baixem o aplicativo Estaciona Orleans, porque só assim vão ter o saldo revertido”, reforça. Já o cartão físico antigo não está sendo aceito neste momento.
Diante da limitação de pessoal, a monitora atua em setores diferentes a cada dia: Getúlio Vargas, XV de Novembro, praça Celso Ramos, Miguel Couto, Costa Carneiro e proximidades do cemitério. A intenção, segundo Ambrósio, é deixar claro que o sistema voltou e deve ser respeitado.
“O intuito do rotativo não é punir, não é arrecadar. É organizar o trânsito para que todo município tenha direito a estacionar”, ressalta. Ele reforça que o desrespeito às vagas especiais como as destinadas a idosos, pessoas com deficiência, carga e descarga e motos será notificado.
O responsável pelo Estaciona Orleans afirma que a maior parte da população tem mostrado boa vontade, mas reconhece que ainda há resistência de alguns motoristas. “É uma questão cultural. Infelizmente às vezes a gente não pensa no próximo e deixa o veículo o dia todo. Nesse período sem o rotativo, todos puderam sentir a dificuldade de encontrar vagas”, avalia.
Segundo ele, logo nos primeiros dias de cobrança, já foi possível perceber melhora. “Não é o ideal ainda, mas a gente já consegue ter uma facilidade maior para encontrar vaga”.
Para 2026, o Departamento de Trânsito deve realizar campanhas de conscientização sobre respeito às vagas e uso correto do sistema.
Oposição confirma Dovagner Baschirotto para a disputa pela presidência da Câmara de Orleans
Por Rádio Guarujá08/12/2025 10h52
Foto/Redação
A eleição da mesa diretora da Câmara de Vereadores de Orleans está marcada para o dia 15 de dezembro, durante a última sessão ordinária do ano. Até o momento, duas chapas vão concorrer: a da base e a da oposição. Pelo bloco adversário, foi confirmado o nome do vereador Dovagner Baschirotto (MDB) à presidência da Casa.
Em entrevista concedida na manhã desta segunda-feira (8) ao Jornal da Guarujá, Dovagner garantiu que a definição já está consolidada: “Sim, sim, já conversamos várias vezes com os vereadores do MDB e os vereadores do PSD, isso já está acordado. Desde o início sempre foi dito que teríamos chapa concorrendo à presidência”.
Sobre a possibilidade de concorrer para evitar a votação por aclamação ao candidato da situação (Murilo Hoffmann – Novo), ele disse que a postura é “concorrer com seriedade” e apostar em um processo transparente. “A nossa postura sempre foi assim, e a gente vai continuar mantendo e quem sabe, possamos ser eleitos presidente da casa”, afirmou.
Baschirotto reconheceu que 2025 foi um ano marcado por tensões no Legislativo. “Realmente a gente não esperava que teria um ano como teve. Mas eu, como vereador eleito, procuro cumprir meus deveres de fiscalizar, legislar e buscar recursos para o município. Temos discussões acaloradas, mas são pontos que precisam ser levantados”, avaliou.
Ele também disse que a oposição busca equilíbrio e responsabilidade. “A gente não é oposição ao município de Orleans. Somos oposição na política, mas queremos o melhor para o município”.
Polêmica com ocupação temporária da prefeitura: manobra política?
Um dos temas que mais chamaram atenção na entrevista envolve o fato de Joel Cavanholi (PL) ter assumido a prefeitura interinamente por oito dias, o que para oposição, funcionou como uma manobra para garantir o voto dele na Mesa Diretora. Dovagner disse que houve várias conversas com Cavanholi. “Conversamos por cinco vezes, não foi apenas uma conversa que tivemos, nós tivemos cinco conversas e ele demonstrava descontentamento com alguns pontos dentro da Câmara e nos bastidores era visível o descontentamento do presidente Joel Cavanholi, e o mesmo comentava e argumentava que não votaria no vereador Murilo Hoffmann”.
No entanto, após a troca temporária de cargos, o cenário teria mudado. Para Dovagner, a nomeação de Cavanholi a prefeito interino teria alterado os planos. “Depois da articulação política que aconteceu para que o presidente da Casa virasse prefeito por 8 dias, acredito que ficou mais difícil. Ficou escancarado que foi um acordo político para garantir o voto dele”.
Dovagner afirmou ainda que durante as conversas com o atual presidente da Casa, Joel Cavanholi expressou inclusive o desejo de continuar como presidente: “Ele pretendia novamente ser presidente da Casa”, afirmou, além de ter solicitado a presidência para a vereadora Jana Coan (PL) em uma das composições discutidas. As conversas, segundo ele, estavam bem estruturadas e prestes a serem fechadas. “Faltava só bater o martelo, o que aconteceria nos próximos dias.” Mas, com a ida de Joel ao comando do Executivo, Dovagner avalia que o acordo perdeu sentido: “A partir desse movimento, acredito que foi tudo por água abaixo”
Apesar da indefinição, Dovagner garantiu que vai até o fim da disputa e solicitará o apoio de cada um dos colegas: “Se tudo der certo, a gente pode ser presidente. Se não for, vida que segue. A gente vai continuar trabalhando pelo município. Nós não somos oposição ao município, mas à política neste momento”.