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Sete em cada dez famílias catarinenses estão endividadas, aponta pesquisa

Em entrevista ao Jornal da Guarujá, economista da Fecomércio SC explica que o endividamento chegou a 76,3% em junho, mas destaca que a inadimplência recuou no período

Por Rádio Guarujá17/07/2026 11h23
Foto/Divulgação

O endividamento das famílias catarinenses alcançou, em junho de 2026, o maior patamar dos últimos dois anos. Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Santa Catarina (Fecomércio SC), 76,3% das famílias possuem algum tipo de dívida.

Apesar da alta, o índice catarinense permanece abaixo da média nacional, que chegou a 81,3% no mesmo período.

Em entrevista ao Jornal da Guarujá, a economista da Fecomércio SC, Edilene Cavalcanti, explicou que o endividamento não deve ser automaticamente interpretado como um indicador negativo. Segundo ela, o dado também representa o uso de modalidades de pagamento parcelado, como cartão de crédito e financiamentos.

“O endividamento atingiu o maior nível desde junho de 2024. Ou seja, sete em cada dez famílias estão endividadas. Mas, apesar de preocupar, o endividamento também pode ser olhado sob outras perspectivas. Não necessariamente é uma coisa ruim. Significa que as famílias estão fazendo compras parceladas, seja no cartão de crédito ou em um financiamento.”

A economista explica que a preocupação aumenta quando a família perde a capacidade de pagar as dívidas contraídas e passa a atrasar as contas.

“O endividamento não é ruim. Significa que as famílias estão fazendo compras parceladas. Mas, se chega um momento em que elas não conseguem pagar essa conta, tornam-se inadimplentes. É aí que entra a preocupação: não ter capacidade de pagar as contas que estão sendo feitas.”

Apesar do aumento do endividamento, a pesquisa apontou uma melhora na inadimplência em Santa Catarina no mês de junho, com recuo no número de famílias com contas em atraso.

Cartão de crédito é principal fonte de endividamento

O cartão de crédito continua sendo a principal modalidade utilizada pelas famílias catarinenses para realizar compras e, consequentemente, também aparece como a principal fonte de endividamento.

“Hoje em dia é bastante fácil ter acesso a um cartão de crédito com algum limite. É uma modalidade de pagamento muito utilizada no dia a dia. A fatura geralmente vem a cada 30 dias e, então, já consideramos isso como um endividamento.”

Na sequência, aparecem os carnês e o crédito pessoal. Financiamentos de imóveis e veículos também fazem parte do perfil de endividamento das famílias, mas representam uma parcela menor. De acordo com a economista, os juros elevados dificultam o acesso a esse tipo de crédito.

A pesquisa é realizada em parceria com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), que coleta os dados nos estados. As federações estaduais analisam as informações e acompanham o comportamento financeiro dos consumidores.

Segundo Edilene, o monitoramento é importante para orientar o setor varejista sobre a situação financeira das famílias e auxiliar os empresários no planejamento de estratégias de venda.

Varejo mantém desempenho positivo

Mesmo diante do cenário de endividamento e da preocupação com os juros elevados, o comércio catarinense vem apresentando resultados positivos. Segundo Edilene, as vendas do varejo cresceram 7% em maio, enquanto a média nacional foi de 0,4%. No acumulado do ano, o crescimento chegou a 4,6%.

As datas comemorativas, como o Dia das Mães e o Dia dos Namorados, também contribuíram para movimentar o comércio.

“Apesar dessa preocupação, os indicadores estão vindo positivos. As vendas, como eu disse, cresceram nesse último mês e 4,6% no ano. As famílias estão consumindo nessas datas comemorativas, então o mercado de trabalho segue aquecido, com geração de empregos. Há um equilíbrio entre essa preocupação e os resultados que estão sendo observados.”

A economista também destacou que o mercado de trabalho segue aquecido e que o consumo continua sendo sustentado, apesar das preocupações relacionadas aos juros e ao cenário econômico.

Para Edilene, a expectativa é de que Santa Catarina mantenha bons resultados ao longo do ano, mesmo diante dos desafios relacionados ao endividamento, aos juros e ao comportamento de consumidores e empresários.

“A expectativa ainda para este ano é mantermos bons resultados e fecharmos o ano com números positivos em praticamente todos os indicadores da economia.”

Confira a entrevista completa

https://www.youtube.com/watch?v=bZKo_YEqZZo

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