Limpeza e desassoreamento do Rio da Madre avançam em Tubarão; 5 dos 20 quilômetros previstos já foram concluídos
Obra faz parte das ações preventivas para reduzir riscos de alagamentos e preparar o município para possíveis eventos climáticos extremos
A Prefeitura de Tubarão segue avançando nos trabalhos de limpeza e desassoreamento do Rio da Madre. Dos 20,1 quilômetros previstos para receber intervenção, cerca de 5 quilômetros já foram concluídos. A obra tem como objetivo melhorar o escoamento das águas, reduzir o risco de alagamentos e recuperar o curso do rio.
Em entrevista ao Jornal da Guarujá, na manhã desta quarta-feira (1º), o prefeito Estêner Soratto destacou que a recuperação do Rio da Madre faz parte de um conjunto de ações iniciadas no começo da atual gestão para reforçar a prevenção a enchentes no município.
Segundo o prefeito, antes mesmo da intervenção no rio, a administração já vinha realizando a limpeza de valas, da rede de drenagem urbana e investindo em equipamentos para manutenção do sistema de escoamento.
“Desde o início do mandato estamos fazendo a limpeza de várias valas da cidade e da rede de drenagem das ruas. A limpeza do Rio da Madre era uma prioridade, mas exigia um investimento maior. Apresentamos o projeto ao Governo do Estado, recebemos os recursos, fizemos a licitação e a empresa já concluiu praticamente um quarto da obra. A expectativa é que o serviço termine bem antes do prazo de seis meses previsto em contrato.”
Soratto lembra que o Rio da Madre chegou a ser conhecido pela população como “rio seco” ou “rio morto”, devido ao excesso de vegetação que cobria praticamente toda a lâmina d’água.
O prefeito explicou que a limpeza do rio faz parte das ações preventivas adotadas pela prefeitura diante da possibilidade de eventos climáticos severos.
Segundo ele, embora Tubarão historicamente registre maiores problemas durante períodos de La Niña, a administração trabalha com planejamento para qualquer cenário.
“Estamos nos preparando para o pior, mas torcendo para que nada aconteça. Fizemos simulados de enchente e de deslizamento, reforçamos a equipe da Defesa Civil, realizamos a limpeza das valas, vistoriamos as 33 comportas do município, recuperamos uma das bombas de sucção e estamos acompanhando todas as orientações da Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil.”
Soratto acrescentou que os locais que poderão servir como abrigos em caso de emergência já foram identificados e estão preparados para receber a população, caso necessário.
Durante a execução da obra, a prefeitura também adota medidas para preservar as residências construídas próximas ao Rio da Madre.
O prefeito informou que foi realizado um estudo técnico e socioambiental para identificar todas as ocupações existentes nas margens dos rios do município.
“A empresa trabalha seguindo um projeto de engenharia que considera essas construções. Estamos retirando a vegetação, mas também muito lixo que foi descartado no rio ao longo dos anos, como sofás, pneus, geladeiras e restos de construção. Quando a limpeza ocorre próxima às residências, o trabalho é feito com ainda mais cuidado.”
Questionado sobre os riscos para as moradias localizadas às margens do rio, Soratto afirmou que o Rio da Madre possui comportamento diferente do Rio Tubarão, sendo mais calmo.
Ainda assim, ele reconhece que eventos extremos exigem atenção permanente.
“Na enchente de 2022 tivemos cerca de 16 casas levadas pela força do Rio Tubarão. O Rio da Madre é um rio mais calmo, mas, se houver uma cheia de grandes proporções, como vimos recentemente no Rio Grande do Sul, precisamos estar preparados.”
Monitoramento reforçado
O prefeito também destacou que Tubarão investiu no monitoramento hidrológico para ampliar a capacidade de resposta em situações de emergência.
Segundo ele, o município conta atualmente com cinco estações meteorológicas próprias, além de outras duas mantidas pelo Governo do Estado, permitindo acompanhar em tempo real o volume de chuva, o nível dos rios e outras condições climáticas.
“Hoje conseguimos saber com bastante antecedência qual é o nível do rio, a quantidade de chuva e as condições do tempo. Isso nos permite alertar a população antes que uma situação de risco aconteça.”
Soratto também lembrou que, após a grande enchente de 1974, o Rio Tubarão passou por obras de retificação, reduzindo as curvas do seu curso, fator que, segundo ele, contribuiu para diminuir o risco de uma tragédia semelhante à registrada há mais de cinco décadas.
Confira entrevista completa