Hospital Santa Otília registra aumento de mais de 100% nos atendimentos e alerta para superlotação do pronto-socorro
Diretora da instituição alerta para aumento de casos de síndromes gripais e reforça a importância da prevenção para reduzir a demanda
O Hospital Santa Otília, de Orleans, enfrenta um período de alta demanda no pronto-socorro. Segundo a diretora da instituição, Cristiane Vavassori, o número de atendimentos mais que dobrou em relação à média registrada ao longo do ano, impulsionado principalmente pelo aumento dos casos de síndromes gripais durante o inverno.
O hospital costuma realizar cerca de 2.300 atendimentos por mês no pronto-socorro. Atualmente, esse número ultrapassa 5 mil atendimentos mensais, o que tem provocado superlotação em diversos momentos do dia. “Realmente a gente tem vivido momentos de caos. Em alguns horários de pico, caos mesmo. A gente não consegue nem respeitar o tempo da classificação de risco. A maioria dos nossos pacientes é classificada como verde, de baixa prioridade, que teria um tempo de espera de até duas horas. Hoje estamos com pacientes aguardando três, às vezes até quatro horas para atendimento, porque realmente não estamos dando conta da demanda”, afirmou.
Mesmo com reforço nas equipes, a procura continua acima da capacidade de atendimento da unidade. “Na última sexta-feira nós estávamos com dois médicos e cinco enfermeiros trabalhando no pronto-socorro e não estávamos dando conta. Foi um pico de atendimentos e, felizmente, não tivemos nenhuma emergência. Se tivesse ocorrido algum caso grave, realmente isso viraria um caos ainda maior”, relatou.
De acordo com Cristiane, a maior parte dos pacientes atendidos apresenta sintomas gripais e é classificada como de baixa complexidade. Por isso, ela destaca que o combate à superlotação passa também pela prevenção. “Quando a gente olha os gráficos, a maioria dos nossos pacientes é classificada como verde e o maior sintoma é a gripe. Precisamos trabalhar a prevenção. É importante se vacinar, usar máscara quando necessário e adotar medidas que ajudem a controlar a disseminação dos vírus.”
A diretora ressalta que apenas ampliar a estrutura ou aumentar o número de profissionais não é suficiente para resolver o problema se a procura continuar crescendo. “Eu sempre me pergunto o que podemos fazer para melhorar isso. Porque, se eu tiver três médicos, quatro médicos ou dez enfermeiros, vai continuar existindo essa problemática. A gente precisa trabalhar a prevenção. Não é apenas na atenção hospitalar que vamos resolver essa situação. Todos precisam fazer a sua parte.”
Cristiane alerta que o aumento da demanda acompanha o período mais crítico do ano para a circulação de vírus respiratórios em Santa Catarina e reforça que medidas como a vacinação e os cuidados para evitar a transmissão das doenças são fundamentais para reduzir a pressão sobre o pronto-socorro e garantir atendimento mais ágil aos pacientes que realmente necessitam de assistência de urgência.