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Rádio Guarujá
Na contramão de pescadores e lideranças políticas, presidente da Colônia Z-33 defende manutenção das cotas da tainha
Por Rádio Guarujá09/06/2026 16h23
Foto/Ilustrativa – Elvis Palma
A suspensão da pesca da tainha na modalidade de arrasto de praia continua gerando forte repercussão em Santa Catarina. Nos últimos dias, pescadores, entidades do setor, parlamentares e representantes do Governo do Estado se manifestaram contra o encerramento da safra, defendendo a revisão ou até mesmo o fim do sistema de cotas adotado pelo Governo Federal.
No entanto, durante entrevista ao Jornal da Guarujá, a presidente da Colônia de Pescadores Z-33, do Balneário Rincão, Maria Aparecida Luciano, apresentou uma posição diferente da maioria das manifestações que vêm ocorrendo no estado.
Segundo ela, a discussão não deve ser sobre o fim das cotas, mas sim sobre a forma como elas são distribuídas entre as regiões pesqueiras de Santa Catarina.
“A preocupação nossa é grande. Mas eu queria dizer que não é uma determinação simplesmente do governo. Existe uma câmara técnica, existe um grupo de trabalho da tainha funcionando há três anos, do qual eu tenho orgulho de participar oficialmente como pescadora de Santa Catarina. Esse grupo é composto por pescadores, pescadoras, técnicos e representantes do ministério”, afirmou.
Maria Aparecida explicou que a cota atual da pesca artesanal por arrasto de praia foi estabelecida para garantir a reprodução da espécie e a continuidade da atividade nos próximos anos.
“É o único peixe que a gente pesca com a ova. A gente acaba tirando a mãe e os filhotes juntos. Precisa existir uma reserva para que nós tenhamos peixe no ano que vem também”, argumentou.
A presidente reconheceu a insatisfação dos pescadores, especialmente daqueles que não conseguiram aproveitar a safra antes do encerramento da temporada.
“Claro que existe uma reclamação muito grande. Todo mundo queria pescar mais. Eu também queria que se pescasse mais. Mas precisamos sentar e discutir outra forma de distribuição dessa cota”, disse.
Durante a entrevista, ela destacou que muitos pescadores tiveram baixa produtividade nesta temporada, enquanto a maior parte da captura ocorreu em outras regiões do litoral catarinense.
“O problema sério que existe hoje é a distribuição da cota. Não pode uma região como Florianópolis pescar mais de mil toneladas e o restante do estado dividir pouco mais de 300 toneladas. É isso que precisa ser discutido”, avaliou.
A presidente a Colônia de pescadores também atribuiu parte da repercussão da suspensão da pesca ao momento político vivido pelo estado. Segundo ela, o debate em torno da medida acabou sendo ampliado por se tratar de um ano eleitoral.
“É um ano eleitoral. O Governo do Estado aproveitou para polemizar em cima dessa suspensão. Quando chegou na cota, ficou parecendo que o governo proibiu a pesca, mas não é isso. Não dá para pescar a vida inteira”, afirmou.
Maria Aparecida também chamou atenção para as mudanças ocorridas na atividade pesqueira ao longo dos anos. Segundo ela, a pesca artesanal passou a contar com equipamentos que aumentam significativamente a capacidade de captura.
“Hoje tem motor na canoa, tem sonar, tem drone. A pesca mudou muito. O pescador sofre muito e vai buscando tecnologia para melhorar o trabalho. Mas isso também aumenta a capacidade de localizar e capturar os cardumes”, observou.
Outro ponto levantado pela dirigente foi a necessidade de valorizar economicamente a produção. Para ela, o excesso de oferta acabou derrubando os preços pagos aos pescadores durante a safra.
“Tem gente vendendo tainha a dois reais o quilo. Será que compensa? Talvez a gente precise discutir formas de armazenar, processar e qualificar melhor esse peixe para agregar valor ao produto e melhorar a renda do pescador”, afirmou.
Apesar de defender a manutenção das cotas, Maria Aparecida reconheceu que ajustes precisam ser feitos.
“Existe problema, sim. Mas eu não acredito que a solução seja simplesmente acabar com a cota”, concluiu.
A suspensão da pesca por arrasto de praia ocorreu após o atingimento da cota estabelecida para a temporada de 2026, decisão que segue gerando debates entre o setor pesqueiro e as autoridades responsáveis pela gestão da atividade.
Confira entrevista completa
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Conde e Princesa de Orleans: concurso quer transformar jovens em embaixadores do turismo local
Por Rádio Guarujá09/06/2026 16h18
Foto/Redação
Já estão abertas as inscrições para o concurso que vai eleger o Conde e a Princesa de Orleans. Promovida pela Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, a iniciativa busca selecionar dois jovens que irão representar oficialmente o município em eventos, feiras, ações institucionais e atividades de promoção turística. Os vencedores receberão uma bolsa auxílio da Prefeitura durante o período em que estiverem representando o município em eventos e atividades oficiais.
As inscrições seguem até o dia 30 de junho e são destinadas a jovens entre 18 e 26 anos Segundo a administração municipal, o projeto faz parte de uma estratégia mais ampla para fortalecer a identidade cultural e turística de Orleans.
Durante entrevista ao Jornal da Guarujá nesta terça-feira (9), o secretário de Cultura e Turismo, Gustavo de Melo Souza, explicou como surgiu a proposta.
“Reunimos a equipe para discutir projetos e surgiu a ideia do concurso do Conde e da Princesa. Queremos valorizar a nossa identidade histórica. Orleans tem uma ligação muito forte com a família imperial e essa história precisa ser divulgada”, destacou.
O secretário lembrou que a cidade recebeu o nome em homenagem à família do Conde d’Eu e da Princesa Isabel e afirmou que Orleans é uma das poucas cidades do país que ainda não possui uma representação oficial ligada à sua história.
Segundo ele, em diversas cidades brasileiras as cortes representam festas típicas, tradições ou características locais, enquanto Orleans passará a contar com uma corte histórica voltada à divulgação do município.
“Nosso objetivo é fazer com que Orleans seja conhecida não apenas na região, mas em todo o estado e até fora dele. Esse concurso é apenas uma das ações que estamos desenvolvendo para fortalecer o turismo e a cultura”, afirmou.
De acordo com o assessor de Turismo, Nelson Maccaro Júnior, os escolhidos terão um papel muito mais amplo do que apenas participar de cerimônias protocolares.
“Nós estamos buscando jovens que serão a voz da cidade em diversos momentos. Pessoas que possam representar Orleans em eventos, feiras, ações promocionais, redes sociais e em todas as oportunidades que surgirem para divulgar o município”, explicou.
Ele destacou que Orleans possui atrativos históricos, culturais, gastronômicos e naturais capazes de atrair visitantes de diversas regiões.
“Orleans não deve ser vista apenas regionalmente. Orleans precisa ser conhecida no estado, no Brasil e até fora do país. Isso não é arrogância, é um projeto de desenvolvimento para a cidade”, afirmou.
Como será a seleção
O processo de escolha será dividido em quatro etapas.
A primeira consiste na inscrição dos candidatos. Em seguida, os participantes deverão enviar um vídeo de aproximadamente um minuto gravado com o próprio celular.
Segundo Nelson, a proposta não é avaliar produções profissionais, mas sim a capacidade de comunicação dos candidatos.
“Queremos observar a desenvoltura, a forma como a pessoa se expressa ao representar o município”, explicou.
Após a análise dos vídeos, os classificados participarão de uma entrevista presencial com uma comissão avaliadora.
A grande final está marcada para o dia 24 de julho, no Centro de Eventos Galliano Zomer. Nesta etapa, os finalistas passarão por novas avaliações e participarão de uma apresentação especial diante dos jurados e do público.
A organização também pretende envolver familiares, lideranças locais e representantes da comunidade no evento.
Turismo como investimento
Durante a entrevista, os representantes da Secretaria de Cultura e Turismo defenderam que iniciativas como o concurso ajudam a fortalecer um setor considerado estratégico para a economia local.
Nelson destacou que o turismo representa uma importante fonte de geração de renda e desenvolvimento econômico.
“Turismo é economia. O turista movimenta hotéis, restaurantes, comércio e diversos prestadores de serviço. O que a secretaria está fazendo é criar mecanismos para que Orleans aproveite todo o potencial que possui”, afirmou.
Já o secretário Gustavo ressaltou que a criação da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo permitiu ampliar o planejamento de ações voltadas ao setor.
“Orleans é um diamante bruto. Temos história, cultura, natureza e muitos atrativos. Precisamos organizar e divulgar tudo isso para transformar esse potencial em desenvolvimento para a cidade”, concluiu.
As inscrições podem ser feitas no Centro de Apoio ao Turista (CAT). Mais informações estão disponíveis no site oficial da Secretaria de Turismo: turismo.orleans.sc.gov.br.
Oficina em Orleans vai reunir empresários e comunidade para criar roteiro turístico da cidade
Por Rádio Guarujá08/06/2026 11h59
Foto: Douglas Benker | Agência Athos Comunicação
Empresários, comerciantes, artesãos, proprietários de pousadas, restaurantes e moradores de Orleans estão convidados a participar, nesta terça-feira, 9, da oficina participativa “Roteiros que Conectam e Vendem”, que será realizada às 19h, no Centro Administrativo da Prefeitura.
A atividade faz parte do programa Integratur, desenvolvido pela Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc) em parceria com a Associação dos Municípios da Região Carbonífera (Amrec), com o objetivo de fortalecer o turismo nos municípios da região.
Segundo o analista de turismo responsável por Orleans, Sidi Graciano, esta será a quarta oficina participativa promovida pelo projeto e tem como foco a construção de roteiros turísticos capazes de conectar atrativos, serviços e experiências já existentes no município.
“O objetivo é transformar tudo aquilo que Orleans já possui em um produto turístico estruturado, capaz de ser apresentado em feiras, eventos e ao mercado turístico”, explica.
Durante o encontro, os participantes irão identificar os principais atrativos da cidade, discutir rotas já existentes e propor novas experiências que possam integrar um roteiro turístico com identidade própria. Entre os potenciais citados estão o ecoturismo, o cicloturismo, a gastronomia, o turismo rural, a cultura, os eventos e as belezas naturais do município.
A oficina faz parte de uma metodologia aplicada em duas etapas. Nesta primeira reunião será realizada uma ampla troca de ideias para identificar oportunidades e definir o perfil do turista que Orleans deseja atrair. Já no segundo encontro, marcado para a próxima semana, os participantes irão trabalhar aspectos como inovação, precificação, sazonalidade e estruturação final do roteiro.
Para Sidi, Orleans já possui atrativos consolidados, mas precisa organizá-los de forma estratégica para ampliar sua presença no mercado turístico.
“Temos experiências únicas ligadas à natureza, à cultura, à gastronomia e ao turismo rural. O que buscamos agora é unir esforços entre poder público, iniciativa privada e comunidade para transformar esse potencial em desenvolvimento econômico e geração de oportunidades”, destaca.
A participação é gratuita e não exige inscrição prévia. O convite é aberto a todos os interessados em contribuir para a construção de um roteiro turístico que represente a identidade de Orleans e fortaleça o setor nos próximos anos.
Adolescente de Orleans trava batalha contra doença genética rara e mobiliza campanha de arrecadação
Por Rádio Guarujá08/06/2026 11h55
Foto/Redação
O que parecia ser uma cirurgia de rotina acabou se transformando em uma luta pela vida para o adolescente Mateus Carrer Della Justina, de 15 anos, morador da comunidade de Barro Vermelho, em Orleans.
No dia 17 de maio, Mateus foi diagnosticado com apendicite e precisou passar por uma cirurgia de urgência em um hospital de Criciúma. Segundo o pai, Jorge Luiz Della Justina, o procedimento ocorreu sem complicações e a expectativa era de que o filho recebesse alta poucos dias depois.
“A cirurgia foi feita no domingo e ele vinha se recuperando bem. A previsão era de alta na quarta-feira. Porém, começou a apresentar algumas complicações, com espasmos e dores musculares muito fortes no abdômen”, relatou.
Diante do agravamento do quadro, o adolescente precisou ser encaminhado para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI), onde permaneceu por três dias. Após apresentar melhora, retornou ao quarto, mas novos sintomas começaram a surgir.
“Ele começou a sentir fraqueza nas pernas. Depois foi perdendo os movimentos. Primeiro nas pernas, depois no tronco e, por último, nas mãos. Quando percebemos, ele já não conseguia mais se movimentar”, contou o pai.
Segundo Jorge, em poucos dias Mateus ficou tetraplégico em decorrência da síndrome que atingiu seu sistema neurológico.
A situação se agravou ainda mais no último fim de semana de maio, quando a doença comprometeu também a musculatura responsável pela respiração.
“No dia 30 ele precisou ser intubado porque a síndrome atingiu o diafragma. Hoje a respiração dele é mecânica. Os médicos trabalham para recuperar essa musculatura e conseguir retirar a ventilação mecânica”, explicou.
Durante vários dias, médicos buscaram respostas para o que estava acontecendo com o adolescente.
Somente após uma série de exames foi identificado que Mateus sofria de Porfiria Aguda Intermitente, uma doença genética rara e considerada de difícil diagnóstico.
A tia do adolescente, Rafaela de Oliveira, explicou que a condição permaneceu silenciosa durante toda a vida do sobrinho e só se manifestou após a crise desencadeada pela apendicite.
“Os médicos explicaram que ele já tinha essa alteração genética. A doença estava ali, quietinha, e talvez nunca se manifestasse. O gatilho foi justamente a inflamação da apendicite e todo o processo que veio junto com ela”, afirmou.
Segundo Rafaela, a família sequer imaginava a existência da doença.
“Pode acontecer de outras pessoas da família terem essa alteração genética e nunca desenvolverem a doença. No caso do Mateus, ela acabou sendo desencadeada por essa situação.”
Um menino saudável e cheio de planos
Antes da internação, Mateus levava uma vida normal.
Gostava de jogar futebol, estar com os amigos e tinha uma paixão especial pela música.
Conhecido na família como o “gaiteiro”, aprendeu a tocar observando o primo e usando uma gaita que pertenceu ao avô.
“O Mateus sempre foi muito ativo. Gostava de ficar na rua, jogar bola, brincar e tocar gaita. Ele não tinha nenhuma doença, nenhuma comorbidade. Era um menino saudável”, lembra Rafaela.
Foto/Divulgação
Corrida contra o tempo
Após o diagnóstico, os médicos indicaram o uso imediato da hemina, medicamento considerado fundamental para conter a crise provocada pela doença.
O tratamento, porém, tem alto custo. Cada dose custa aproximadamente R$ 56 mil. Como foram necessárias quatro aplicações, o valor total ultrapassou R$ 230 mil.
Segundo a família, diante da urgência do quadro clínico, não era possível aguardar decisões burocráticas.
“Nós precisávamos agir rápido. Quanto antes o Mateus recebesse a medicação, menores seriam os danos causados pela doença”, explicou Rafaela.
Familiares, amigos e pessoas próximas se mobilizaram para levantar os recursos necessários e garantir a compra das quatro doses. A última aplicação foi realizada no último sábado.
Apesar de continuar internado na UTI e depender de ventilação mecânica, Mateus já apresenta pequenos sinais de evolução.
Segundo a família, ele voltou a movimentar os pés e as mãos, algo que traz esperança para os próximos passos do tratamento.
“É uma pequena evolução, mas para nós significa muito. Agora começa uma nova etapa, que será a reabilitação”, disse Jorge.
A expectativa é de que a recuperação seja lenta.
A família conversou com outros pacientes diagnosticados com a mesma doença. Um deles, morador de São Paulo, ficou 83 dias internado, sendo 35 deles na UTI, e levou cerca de um ano e meio para recuperar totalmente os movimentos.
“Os médicos explicaram que a doença chegou muito rápido. Em poucos dias ele perdeu os movimentos. Já a recuperação acontece de forma muito mais lenta. Pode levar semanas, meses ou até anos”, relatou Rafaela.
A mobilização rapidamente ganhou força. Em poucas horas, a campanha já havia arrecadado mais de R$ 120 mil. Atualmente, o valor ultrapassa R$ 180 mil, mas com os descontos do site, o valor disponível para a retirada é de aproximadamente R$164 mil reais, mas a família ainda precisa de ajuda para cobrir os custos já assumidos e as despesas futuras com reabilitação e fisioterapia.
“Quem não puder ajudar financeiramente pode ajudar divulgando. Compartilhe a campanha, envie para amigos e grupos. Toda ajuda faz diferença”, pede Rafaela.
Jorge também fez questão de agradecer às equipes médicas que acompanham o filho.
“Quero agradecer aos médicos da Unimed, que não mediram esforços para descobrir o que estava causando essa síndrome. É uma doença rara e difícil de diagnosticar. Também agradeço a todos que estão ajudando, rezando e torcendo pelo Mateus. Acreditamos que o momento mais difícil está passando e que agora estamos no caminho da recuperação.”
As doações podem ser realizadas por meio da chave Pix 6152128@vakinha.com.br. A família também pede que a comunidade mantenha Mateus em suas orações durante este processo de recuperação.