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Rádio Guarujá
30ª sessão da Câmara de Orleans tem aprovação de repasses e cobranças ao Executivo
Por Rádio Guarujá11/08/2026 13h11
Fotos/Redação
A Câmara de Vereadores de Orleans realizou, nesta segunda-feira (10), a 30ª sessão ordinária do ano, com uma pauta marcada pela aprovação de repasses para ações sociais, culturais e esportivas, além de cobranças relacionadas à saúde, infraestrutura e atendimento a crianças e adolescentes.
Entre os projetos aprovados está a autorização para que o município repasse R$ 83 mil ao Rotary Club de Orleans. O recurso será utilizado na ampliação da produção de fraldas geriátricas gratuitas destinadas a pessoas acamadas e instituições.
Outro projeto aprovado autoriza o repasse de R$ 200 mil à Associação de Apoio à Cultura e Esporte de Santa Catarina. O valor será destinado à realização, em Orleans, da etapa catarinense da Volta Ciclística, cuja largada está prevista para o dia 2 de setembro.
Durante a sessão, também foi aprovado por unanimidade um requerimento da vereadora Mirele Debiasi (PSDB) que solicita informações ao Conselho Tutelar sobre os atendimentos realizados no município.
Segundo a vereadora, o objetivo é conhecer melhor a realidade enfrentada por crianças e adolescentes em Orleans e, a partir dessas informações, contribuir para a definição de políticas públicas.
“Quando a gente não sabe a realidade do município, a gente também não sabe que políticas públicas trabalhar. Para a gente que está aqui legislando, isso é muito importante”, afirmou Mirele.
A parlamentar destacou ainda que o Conselho Tutelar realiza diversos atendimentos, mas parte desse trabalho não chega ao conhecimento da população. Para ela, a divulgação de dados também pode ajudar moradores a reconhecer situações de violência, abuso, abandono ou vulnerabilidade e buscar os canais adequados para denúncia.
Quadra coberta e falta de agentes de saúde
Na Tribuna, a vereadora Marlise Zomer (PSDB) falou sobre a construção de uma quadra coberta no bairro João Paulo II. A obra está orçada em aproximadamente R$ 700 mil, sendo R$ 500 mil provenientes de emendas parlamentares articuladas pelas vereadoras Marlise Zomer e Mirele Debiasi, além da contrapartida do município.
Segundo Marlise, a preparação do terreno já foi realizada e a expectativa é de que a construção avance nos próximos dias. Ela também destacou a importância do espaço para a prática esportiva e para o lazer da comunidade.
“A gente ficou muito feliz. É uma conquista que ganhou meio milhão de reais de uma emenda. Vai ficar uma obra muito legal para quem mora lá naquele espaço, para se divertir, jogar e tirar as crianças da rua”, disse.
A vereadora também chamou atenção para a falta de agentes comunitários de saúde em algumas regiões de Orleans. Entre os locais citados estão o bairro São Donato, Rio das Furnas, Santa Luzia e Padre Santos.
Marlise defendeu que o Executivo avalie a reposição dos profissionais e afirmou esperar que a nova secretária de Saúde, Ana Paula Wernke Salvador, acompanhe a situação.
Atendimento para procedimentos simples
A vereadora Jana Coan (PL) também levou à Tribuna uma demanda relacionada à saúde. Segundo ela, o município trabalha para disponibilizar em uma Unidade Básica de Saúde procedimentos simples, como retirada de verrugas e sinais e atendimento de casos de unha encravada.
A medida, conforme Jana, tem como objetivo evitar que pacientes precisem procurar o hospital para procedimentos de menor complexidade e, consequentemente, retirar profissionais dos atendimentos de emergência.
“Parece simples, mas o fato de ter que ir para o hospital para fazer isso também sobrecarrega o trabalho do médico que está dentro do hospital”, afirmou.
A vereadora informou que a Secretaria de Saúde já discute a implantação do serviço e que novos detalhes sobre a unidade que realizará os procedimentos devem ser divulgados posteriormente.
Jana também comentou a situação da Travessa Professora Emília Feldmann, utilizada por pedestres como ligação entre a região do Fórum e o bairro Coloninha. O acesso foi bloqueado por tapumes instalados por uma construtora que realiza uma obra nas proximidades.
De acordo com a vereadora, a empresa foi notificada e multada pela Prefeitura. Caso o acesso não seja reaberto pela construtora, o município deverá realizar a intervenção e posteriormente cobrar os custos da responsável pela obra.
Vereador cobra melhorias nas SCs 108 e 390
O vereador Joel Cavanholi (PL) relatou uma reunião realizada com o coordenador regional de Infraestrutura, Miro Ghisi, para discutir as condições das rodovias SC-108 e SC-390.
Segundo ele, foram identificados quatro pontos considerados mais críticos, que devem receber intervenções paliativas ainda em agosto. Na SC-108, um dos trechos apontados fica na subida do bairro Nova Orleans, nas proximidades de um posto, além de outros pontos com desgaste do pavimento.
Na SC-390, foram citados trechos próximos ao Samae e ao Parque de Exposições Princesa Isabel. Conforme o vereador, os serviços deverão ocorrer antes da festa do município, marcada para o fim do mês.
“Foi determinado que, dos pontos que nós temos críticos, nós temos que fazer um paliativo. Então, vai ser feito algumas situações pontuais, tanto na 390 como na 108”, explicou Joel.
O vereador afirmou ainda que pretende continuar cobrando intervenções mais amplas nas duas rodovias no próximo ano.
Recursos para ampliar produção de fraldas
Relator do projeto que autoriza o repasse de R$ 83 mil ao Rotary Club, Joel Cavanholi também destacou a importância do recurso para aumentar a produção de fraldas geriátricas.
Segundo ele, o material é destinado gratuitamente a pessoas acamadas e também pode atender instituições que necessitam desse tipo de produto.
“É gratuito para as pessoas que adquirem. Então, eu acredito que o Executivo, nessa questão do fomento, e o Legislativo também, dentro da legalidade, avaliaram isso para que a própria entidade consiga ter mais força de produzir e adequar a produção”, afirmou.
Com os projetos aprovados e os temas apresentados na Tribuna, a sessão também teve manifestações dos vereadores sobre demandas locais e serviços públicos. A pauta reuniu ações voltadas à assistência social, esporte, saúde, proteção de crianças e adolescentes e infraestrutura.
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AgroPonte começa nesta quarta-feira com área ampliada, programação cultural e expectativa de movimentar o agronegócio
Por Rádio Guarujá11/08/2026 13h05
Foto: Vinícius Fabrício Ludwig | Traquejo Comunicação
A 15ª edição da AgroPonte começa nesta quarta-feira (12), em Criciúma, reunindo agronegócio, agricultura familiar, tecnologia, pecuária, gastronomia e cultura em uma estrutura ampliada. Neste ano, a feira passa a ocupar também o Ginásio Municipal Irmão Valmir Antônio Orsi, ao lado do Centro de Eventos José Ijair Conti, totalizando 30 mil metros quadrados de área de exposição, totalmente coberta.
Em entrevista ao Jornal da Guarujá, a diretora da NossaCasa Feiras e Eventos, Jaqueline Backes, destacou que a utilização do novo espaço permitiu ampliar a programação e oferecer mais conforto ao público.
“A AgroPonte cresceu e, neste ano, passamos a utilizar também o ginásio municipal. Isso nos permitiu trazer mais expositores, ampliar a área de gastronomia e criar um espaço exclusivo para apresentações culturais, valorizando a cultura da nossa região”, afirmou.
Fotos: Amanda Garcia Ludwig | Traquejo Comunicação
A feira será aberta às 16h desta quarta-feira e segue até domingo (16). Segundo Jaqueline, a proposta do novo espaço cultural é dar visibilidade às manifestações tradicionais do Sul de Santa Catarina.
Ao longo dos cinco dias serão realizadas 35 apresentações culturais, com grupos folclóricos, invernadas artísticas de CTGs, bandas, corais, apresentações de dança e manifestações das diferentes etnias presentes na região.
“O objetivo não é trazer shows nacionais, mas abrir espaço para os nossos artistas e para a cultura dos municípios da região”, explicou.
Além da programação cultural, a AgroPonte contará com mais de 200 empresas expositoras e cerca de 300 animais. Entre os destaques estão os julgamentos das raças Nelore e Brahman, que acontecem na quinta e sexta-feira, além de apresentações de seis raças de equinos na Arena de Equoterapia.
O público também poderá visitar a exposição de bovinos, conhecer uma fazendinha com diferentes espécies de animais, acompanhar atividades voltadas à criação de abelhas sem ferrão e conferir demonstrações sobre manejo e características das raças expostas.
Outro destaque da programação será a tradicional rodada de negócios entre agricultores familiares e representantes de supermercados, atacadistas e centrais de abastecimento. A iniciativa, realizada em parceria com a Epagri, busca ampliar o mercado para os produtores da região.
“Já vimos vários empreendimentos da agricultura familiar conseguirem fornecer para supermercados depois da rodada de negócios. Esse é um dos grandes objetivos da AgroPonte, promover oportunidades e gerar negócios”, ressaltou Jaqueline.
Para facilitar o acesso, a feira contará com três entradas: duas pelo Centro de Eventos José Ijair Conti e uma pelo Ginásio Municipal, todas com estacionamento próximo. Independentemente do acesso escolhido, o visitante poderá circular por todos os ambientes do evento.
Os ingressos custam R$ 20 na bilheteria, com direito à meia-entrada para os públicos previstos em lei. Crianças menores de 12 anos, acompanhadas pelos responsáveis, têm entrada gratuita, assim como os visitantes que receberam convites distribuídos pelos expositores.
A expectativa da organização é receber milhares de visitantes entre os dias 12 e 16 de agosto, consolidando a AgroPonte como uma das principais feiras do agronegócio de Santa Catarina.
Confira entrevista completa
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Ana Paula Salvador assume Saúde de Orleans com foco em ampliar atendimento e reduzir filas
Por Rádio Guarujá10/08/2026 11h02
Foto/Redação
A nova secretária de Saúde de Orleans, Ana Paula Wernke Salvador, assumiu o comando da pasta com a proposta de ampliar o acesso aos serviços e reduzir a sobrecarga enfrentada atualmente pelas unidades de saúde. Enfermeira com 20 anos de atuação na saúde pública, sendo 16 deles entre a assistência direta e a gestão, ela conhece de perto a estrutura do município e os desafios enfrentados pelos profissionais.
Em entrevista ao Jornal da Guarujá nesta segunda-feira (10), Ana Paula destacou que a demanda por consultas, exames e especialidades aumentou nos últimos anos e que a prioridade será trabalhar com planejamento, diálogo e responsabilidade para melhorar o atendimento.
“Os desafios da saúde são diários. Trabalhamos diretamente com as necessidades das pessoas. A demanda está cada vez maior e hoje trabalhamos para tentar diminuir o tempo de acesso dessas pessoas às consultas, exames e especialidades”, afirmou.
A secretária também relembrou a experiência durante a pandemia de Covid-19, quando atuou no Centro de Triagem. Segundo ela, o período representou uma sobrecarga significativa para os profissionais.
Orleans possui atualmente nove unidades de saúde, além do CAPS, Vigilância Epidemiológica e Sanitária, equipe do Melhor em Casa, Centro de Especialidades São Lucas, Centro de Fisioterapia, Farmácia, Secretaria de Saúde e SAMU. Ao todo, são 17 estabelecimentos de saúde que integram a estrutura municipal.
Para Ana Paula, manter essa rede em funcionamento exige planejamento permanente. Entre as ações já implementadas em 2026, ela citou a implantação de sensores para monitoramento da glicemia de crianças e adolescentes com diabetes tipo 1 e a contratação de um segundo médico para as unidades de saúde.
A secretária também destacou o Comitê de Mortalidade Materna e Infantil, criado em 2021, que, segundo ela, é considerado referência na região. Outra iniciativa mencionada foi o trabalho de combate ao mosquito Aedes aegypti, com ações de limpeza nos bairros, distribuição de citronela e aplicação de borrifação residual intradomiciliar em locais considerados estratégicos.
Na área de atendimento às famílias, Ana Paula citou ainda o projeto “Entre Mães”, voltado ao acolhimento de mães de crianças com deficiência ou transtorno do espectro autista. Os encontros são realizados a cada 15 dias na Unidade de Saúde São Francisco, no bairro Nova Orleans, com acompanhamento de uma psicóloga.
Município precisa de mais equipes de saúde
Entre os principais desafios apontados pela secretária está a necessidade de ampliar o número de equipes que atuam nas unidades de saúde. Orleans possui aproximadamente 24 mil habitantes e, segundo Ana Paula, atualmente conta com nove unidades, enquanto o parâmetro do Ministério da Saúde indicaria a necessidade de 12 equipes.
“Então seriam três unidades de saúde a mais para desafogar as que temos hoje. Faríamos um redimensionamento para essas pessoas terem um acesso melhor e os profissionais também trabalharem mais tranquilamente, sem essa sobrecarga”, explicou.
Ela reconhece que a ampliação depende de recursos e que os repasses das demais esferas de governo são insuficientes para atender todas as necessidades da rede. Por isso, o município também utiliza recursos próprios e emendas parlamentares para manter e ampliar os serviços.
Teleconsulta deve começar em cerca de um mês
Uma das principais novidades anunciadas pela nova secretária é a implantação de um serviço de teleconsulta em Orleans. Segundo Ana Paula, o município já está em processo de contratação de uma empresa e a previsão é que o serviço comece a funcionar dentro de aproximadamente um mês.
A plataforma deverá oferecer atendimento médico por videochamada sete dias por semana, 24 horas por dia, para casos de menor complexidade. Entre os profissionais previstos estão clínico geral, médico de saúde da família e pediatra.
A expectativa é que o serviço ajude a reduzir a procura por atendimentos presenciais em situações que podem ser resolvidas remotamente.
“Vai ser maravilhoso. Teremos clínico geral, médico de saúde da família e pediatra nessa consulta online”, afirmou.
Ampliação do hospital deve impactar atendimento regional
Ana Paula também avaliou a ampliação do hospital de Orleans como um projeto que poderá produzir efeitos não apenas para os moradores do município, mas para pacientes de outras cidades atendidas pela instituição.
“Vai evoluir muito. Vai ser um espaço físico maravilhoso, não só para o município, mas para toda a região que ali é atendida”, afirmou.
Segundo ela, a nova estrutura deverá contribuir especialmente para o atendimento de gestantes e crianças, considerando a demanda regional já existente.
Novas contratações
A Secretaria de Saúde também prepara um processo seletivo para preencher vagas atualmente abertas na rede municipal. De acordo com Ana Paula, a medida deverá contribuir para reforçar as equipes e atender algumas das demandas existentes.
As visitas domiciliares continuam sendo realizadas pelas unidades de saúde, cada uma de acordo com sua rotina e agenda. O município também mantém uma equipe específica de atendimento domiciliar por meio do programa Melhor em Casa.
Com experiência na assistência e na gestão, Ana Paula afirma que pretende conduzir a Secretaria de Saúde com planejamento e diálogo com os profissionais, valorizando também os relatos de quem vivencia diariamente a rotina dos serviços. Segundo ela, mesmo com a experiência acumulada, o aprendizado é contínuo e a participação das equipes é fundamental para identificar as necessidades da rede.
À frente da pasta, a secretária afirma que o objetivo é tornar o atendimento mais resolutivo e humanizado, considerando as necessidades individuais dos pacientes e as limitações da estrutura pública.
“A gente sabe que não vai conseguir resolver tudo de imediato, mas estamos trabalhando com planejamento, diálogo e responsabilidade com toda a equipe. Temos uma equipe muito boa e vamos tentar oferecer uma saúde cada vez mais resolutiva e humana”, concluiu.
Confira entrevista completa
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Projeto que aumenta penas por agressões contra enfermeiros avança no Congresso
Por Rádio Guarujá10/08/2026 10h55
Imagem/TV Câmara
A aprovação, pelo Senado, do Projeto de Lei (PL) 2.672, que aumenta as penas para crimes cometidos contra profissionais da saúde e da educação, é vista pelo Conselho Regional de Enfermagem de Santa Catarina (Coren-SC) como um avanço diante do cenário de violência enfrentado pelas categorias. O projeto ainda precisa passar por nova análise na Câmara dos Deputados antes de seguir para sanção presidencial.
A proposta estabelece pena de reclusão de dois a cinco anos para lesões corporais praticadas contra profissionais desses setores no exercício de suas funções. Em casos de lesões graves, gravíssimas ou morte, as penas são ampliadas. O texto também prevê que o homicídio cometido contra profissional da saúde em exercício seja incluído no rol de crimes hediondos.
Em entrevista ao Jornal da Guarujá nesta segunda-feira (10), a presidente do Coren-SC, Maristela Azevedo, afirmou que a aprovação ocorre em um momento em que a categoria enfrenta aumento de episódios de violência física, psicológica e moral.
“É um PL que aumenta o tempo de prisão, qualifica a questão dos homicídios, lesões graves como crime hediondo quando cometidos contra esses profissionais que estão no exercício da sua função. Isso é importante para nós”, afirmou.
Segundo Maristela, o Coren-SC já vem discutindo o problema com os profissionais. No ano passado e neste ano, o conselho realizou três audiências públicas no interior de Santa Catarina e uma na Capital para tratar das condições de trabalho e dos episódios de violência.
A presidente afirma que a categoria está preocupada com o aumento das ocorrências, principalmente no período posterior à pandemia de Covid-19.
“A categoria está assustada porque os crimes de violência física, moral, psicológica, ameaças aumentaram muito no pós-pandemia. Ele sempre existiu, mas após a pandemia isso se exacerbou”, disse.
Quase 80% relatam algum tipo de violência
De acordo com Maristela, um levantamento realizado pelo Coren-SC recebeu 1.126 respostas em apenas dois dias e meio. Os números, segundo ela, mostram a dimensão do problema enfrentado pelos profissionais de enfermagem.
“Quase 60% dessas pessoas responderam que já não se sentem seguras no seu ambiente de trabalho, e quase 80% afirmaram que sofreram algum tipo de violência”, relatou.
Entre os casos mencionados estão violência psicológica, ameaças, assédio moral, xingamentos e agressões físicas. Segundo a presidente, quase 20% dos profissionais que responderam ao levantamento afirmaram ter sofrido algum tipo de violência física.
O Coren-SC mantém canais de atendimento e orientação para profissionais que enfrentam situações desse tipo. Maristela explica que o conselho também pode realizar manifestações públicas de repúdio contra agressões sofridas por profissionais.
“Estamos muito preocupados. O Conselho Federal de Enfermagem também tem um trabalho que atende os profissionais após uma violência, de apoio psicológico, que continuou. Ele iniciou na pandemia e a ideia foi continuar porque realmente muitos profissionais procuraram apoio nesse instrumento”, afirmou.
Para a presidente do Coren-SC, a violência enfrentada pelos profissionais não pode ser analisada de forma isolada das condições oferecidas nos serviços de saúde. Segundo ela, problemas como baixos salários, falta de medicamentos e de insumos e condições inadequadas de atendimento acabam aumentando a tensão entre profissionais e usuários.
“Quando você tem baixos salários, condições insalubres de atendimento, falta de medicamentos, falta de insumos, essas pessoas consequentemente atacam a pessoa que está lhe atendendo. Então é uma bola de neve”, afirmou.
Maristela também relacionou as condições de trabalho à saúde mental dos enfermeiros. Segundo ela, a categoria ainda enfrenta dificuldades relacionadas ao piso salarial, que, conforme relatou, permanece sem reajuste desde sua criação.
A situação contribui, segundo a presidente, para que muitos profissionais mantenham mais de um vínculo de trabalho.
“Isso também faz com que os profissionais trabalhem em dois ou três vínculos, levando à exaustão, porque nós somos a maioria mulheres, mais de 85% de mulheres. Então você imagina o convívio em casa, com filhos, com família”, afirmou.
Além das agressões físicas e verbais, ela considera a exaustão profissional uma forma de violência que também precisa ser enfrentada.
“Existe também essa violência da exaustão profissional. A gente está vivendo isso também. E principalmente porque somos uma categoria feminina, as questões de gênero estão muito presentes na nossa questão”, destacou.
Coren-SC busca apoio para reajuste do piso
Questionada sobre a situação do piso salarial da enfermagem, Maristela afirmou que ainda não há uma atualização sobre o tema. Segundo ela, representantes do sistema formado pelo Conselho Federal e pelos conselhos regionais continuam buscando apoio político para medidas relacionadas ao reajuste.
A presidente afirmou que pretende participar de uma reunião na Câmara Federal nesta semana e buscar o apoio dos senadores de Santa Catarina para propostas relacionadas à atualização do piso.
“Faço um apelo aqui aos profissionais da região que entrem em contato com o seu senador e com o seu deputado e peçam apoio a essa PEC, porque ela é justamente no sentido de reajuste dessa categoria”, afirmou.
Segundo Maristela, o valor estabelecido para o piso permanece sem atualização desde 2022.
“Não é possível. Nós temos um piso desde 2022 e esse piso já nem mais é piso. Imagina, o piso subiu, os impostos, os alimentos, a vida, e a gente continua com o mesmo salário”, declarou.
Projeto ainda precisa passar pela Câmara
Apesar da aprovação no Senado, o PL 2.672 ainda precisa ser analisado pela Câmara dos Deputados. Caso seja aprovado e posteriormente sancionado pelo presidente da República, as novas regras passarão a integrar a legislação.
Para Maristela, a mobilização deve continuar até a conclusão da tramitação.
“A educação é outra área que está sentindo também. São também mulheres, a grande maioria. Então a gente tem muita similaridade com as questões tanto da saúde quanto da educação. E nós vamos continuar nessa luta para que esse PL seja aprovado”, afirmou.
Ao final da entrevista, a presidente reforçou que os profissionais de enfermagem podem procurar os canais de atendimento do Coren-SC para relatar situações de violência e apresentar demandas.
“Gostaríamos muito de ouvi-los através do nosso formulário, que já está nas redes sociais e também foi distribuído para cada um dos profissionais. Respondam, coloquem as suas questões ali. Isso para nós é importante, para a gente ter uma ideia do que precisa fazer”, concluiu.