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Mente em Sintonia: redes sociais e “vício em dopamina” afetam concentração e emoções

Por Rádio Guarujá24/06/2026 11h54
Foto/Redação

Toda última quarta-feira do mês, o Jornal da Guarujá recebe a psicóloga Vanesa Bagio no quadro Mente em Sintonia. Nesta edição, o tema foi o impacto do uso constante das redes sociais na atenção, nas emoções e no comportamento das pessoas.

Vanesa explicou que a dopamina é uma substância do cérebro ligada à sensação de prazer e recompensa. Segundo ela, o problema surge quando esse mecanismo passa a ser estimulado de forma contínua pelas redes sociais, criando um ciclo de busca por curtidas, comentários e notificações.

“Dopamina é o hormônio da felicidade, mas hoje ela está sendo usada de uma forma que acaba indo ao contrário disso. Isso já está gerando um transtorno emocional”, afirmou.

A psicóloga destacou que esse sistema de recompensa digital faz com que muitas pessoas fiquem em constante expectativa de retorno nas redes, o que pode gerar ansiedade e frustração quando não há interação.

Ela explicou que hoje é comum que usuários aguardem curtidas e comentários como forma de validação, o que intensifica o envolvimento emocional com o conteúdo publicado.

“Hoje está muito forte essa questão das redes sociais. As pessoas ficam aguardando o outro dar uma curtida, fazer um comentário, começar a ter mais seguidores. E isso vai gerando uma ansiedade em cima de uma tela de celular”, disse.

Durante a entrevista, Vanesa relatou uma observação feita em uma viagem recente até Tubarão, quando percebeu que grande parte das pessoas nas ruas estava com o olhar fixo no celular, mesmo caminhando ou pedalando. A situação, segundo ela, chamou atenção pela perda de contato com o ambiente ao redor.

“Eu fui até Tubarão e me chamou muito a atenção: pessoas na rua, caminhando ou de bicicleta, todas olhando para o celular. Todos estavam olhando a tela. Isso me chamou a atenção como profissional da saúde mental”, contou.

Ela avalia que esse comportamento constante contribui para uma desconexão do momento presente e reduz a percepção do que acontece ao redor.

Vanesa também apontou que a lógica das redes sociais pode gerar frustração emocional quando não há interação esperada, o que influencia diretamente na forma como as pessoas interpretam suas relações digitais.

Segundo ela, é comum que a ausência de curtidas seja entendida de forma pessoal, levando até a conflitos ou afastamentos.

“Se não tem curtida, gera frustração. E aí a pessoa começa a cobrar o outro: ‘por que não curtiu meu vídeo?’. Isso vai criando um excesso emocional”, explicou.

A psicóloga também comentou sobre o papel dos algoritmos na forma como o conteúdo é distribuído, o que influencia diretamente o comportamento dos usuários e o tipo de conteúdo que eles consomem diariamente.

Ela observa que isso pode reforçar a sensação de controle, mas também limita a diversidade de informações e experiências.

“A rede social hoje tem um domínio sobre o comportamento humano. Se você curte, aquilo volta para você. Se você não interage, parece que você deixa de existir no conteúdo do outro”, afirmou.

Outro ponto abordado foi a comparação constante entre pessoas, especialmente em relação a números de seguidores e engajamento, o que, segundo Vanesa, pode afetar a autoestima.

“As pessoas começam a se comparar: quantos seguidores você tem? E isso vira motivo de vergonha, como se fosse algo determinante sobre o seu valor”, disse.

Ela reforçou que o problema não está no uso das redes em si, mas no excesso e na forma como elas ocupam o cotidiano. Para ela, é possível utilizar as plataformas de forma profissional e saudável, desde que haja limites claros.

“Uma coisa é usar a rede para trabalhar, divulgar conteúdo. Outra coisa é ficar o tempo todo preso nisso, esperando retorno imediato”, afirmou.

Nos atendimentos clínicos, Vanesa relata que observa com frequência pessoas que não conseguem se desconectar nem em momentos que exigem atenção total ao diálogo terapêutico.

“Tem paciente que abre a bolsa o tempo todo para olhar o celular. E eu pergunto: você está aqui mesmo? Porque fisicamente está, mas mentalmente não”, disse.

Ela também destacou uma mudança no comportamento de consumo de conteúdo, com menor tolerância a vídeos longos e atividades que exigem mais concentração.

“Ninguém mais tem paciência para assistir um vídeo até o final. Tudo precisa ser rápido, acelerado. Isso muda o funcionamento da mente”, afirmou.

Segundo a psicóloga, crianças e adolescentes são os mais impactados por esse cenário, já que crescem com acesso constante a telas e menos mediação no uso da tecnologia.

“As crianças já não têm mais a mediação dos pais como antes. Hoje elas têm acesso direto ao celular, e isso muda completamente a forma de atenção e comportamento”, explicou.

Ao final, ela reforçou a importância da presença real nas relações cotidianas e no convívio social.

“As pessoas estão juntas, mas não estão presentes. Estão fisicamente ali, mas emocionalmente em outro lugar”, concluiu.

Para conhecer mais sobre o trabalho da psicóloga Vanesa Bagio, obter dicas sobre saúde mental ou agendar uma consulta, o contato pode ser feito pelo Instagram @vanesabagio.psi ou no consultório localizado no Edifício Cidade das Colinas – Rua João Ramiro Machado, 321, Sala 6, Centro, Orleans.

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