Sindisaúde cobra Estado por pendências no Hospital Materno-Infantil Santa Catarina e não descarta nova greve
FGTS atrasado, problemas no piso da enfermagem e consignados não repassados estão entre as principais queixas da categoria
O Sindicato dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Saúde de Criciúma e Região (Sindisaúde) encaminhou nesta semana à Secretaria de Estado da Saúde a pauta de reivindicações dos trabalhadores do Hospital Materno-Infantil Santa Catarina, em Criciúma.
Entre os principais problemas apontados estão a falta de depósito do FGTS, inconsistências no pagamento do complemento do piso da enfermagem, além de dificuldades com empréstimos consignados que estariam sendo descontados em folha, mas não repassados às instituições financeiras.
Em entrevista ao Jornal da Guarujá na manhã desta quinta-feira (26), o presidente do Sindisaúde, Cléber Cândido, afirmou que o cenário é preocupante. “A situação está cada vez mais difícil. Os trabalhadores estão indignados, descontentes com toda a situação”, declarou.
Ele lembrou que houve paralisação recente. “Tivemos uma greve há pouco mais de três dias. Dentro da greve tivemos uma reunião de negociação, um acordo de complemento que, na sua maioria, não foi cumprido”, disse.
Segundo Cléber, novas assembleias foram realizadas no início da semana. “Na segunda e terça-feira tivemos mais duas assembleias que definiram que, a partir de então, a gente ia tratar só com o Estado, já que o Instituto Ideas (responsável pela gestão) não cumpre aquilo que negocia”, afirmou.
O dirigente explicou que foi estabelecido prazo para resposta. “Se no prazo de cinco dias as reivindicações não forem atendidas, será notificado para paralisação na próxima semana.”
Possibilidade real de greve
Questionado sobre a chance de uma nova greve, ele confirmou. “Existe, sim, até porque não se vê resolução do problema. Não se vê um chamamento de reunião para discutir o assunto, então a gente vê uma grande possibilidade, infelizmente.”
Sobre as pendências, Cléber detalhou: “Os trabalhadores hoje estão com o FGTS atrasado e continuam com empréstimos consignados que são descontados e não são pagos, negativando os trabalhadores.”
Ele também citou problemas no piso da enfermagem. “Os trabalhadores tiveram uma diminuição no salário de quase 300 reais por culpa do próprio Ideas, que passa informações erradas para o governo. Estamos com cinco meses com os valores errados e nada de ser corrigido.”
De acordo com ele, o desgaste tem levado profissionais a pedirem desligamento. “Os trabalhadores não veem outra saída, porque não aguentam mais a situação.”
Hospital é referência na região
Cléber ressaltou a importância da unidade para o Sul do Estado. “O Materno-Infantil é o principal hospital que atende maternidade e pediatria na região Sul. É o único hospital com UTI neonatal na nossa região.”
Ele reforçou a dimensão do atendimento prestado. “Sem dúvida nenhuma é um dos principais hospitais da nossa região Sul, se tratando de atendimento especializado.”
Por fim, o presidente do sindicato afirmou que a categoria aguarda um posicionamento do Estado dentro do prazo estabelecido. “Esperávamos que o próprio governo do Estado, a Secretaria da Saúde, fizesse um chamamento para resolver, mas nada até agora também. Esperamos responsabilidade nesse momento, até porque estamos falando de um dos principais hospitais da nossa região.”
Confira entrevista completa