Santa Catarina amplia vacinação contra a dengue para jovens de 10 a 14 anos
Em entrevista, diretor da Vigilância Epidemiológica detalha a expansão da vacinação e alerta para aumento de casos no estado
Adolescentes de 10 a 14 anos de todos os municípios de Santa Catarina já podem se vacinar contra a dengue. A ampliação da vacinação foi confirmada pela Secretaria de Estado da Saúde, que iniciou a distribuição das doses na sexta-feira (23) para todas as regionais de saúde do estado. Até então, a imunização estava restrita a 100 municípios, distribuídos em sete regiões, e contemplava jovens de 10 a 16 anos.
Em entrevista ao Jornal da Guarujá, na manhã desta segunda-feira (26), o diretor da Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina (Dive), João Fuck, destacou que a medida representa um avanço importante na estratégia de enfrentamento à doença.
“O Estado sempre pleiteou a ampliação da vacinação dos adolescentes de todo o Estado e, de fato, conseguimos isso agora. É uma definição do Ministério da Saúde, que é quem fornece as vacinas, e agora conseguimos vacinar os 295 municípios das 17 regiões de saúde”, afirmou.
Segundo o diretor, a vacinação segue o público definido pelo Ministério da Saúde.
“Continuamos vacinando adolescentes de 10 a 14 anos, mas agora cobrindo todo o estado de Santa Catarina”, explicou.
Fuck explicou que, desde o início da vacinação, em fevereiro de 2024, a escolha das regiões priorizadas seguiu critérios epidemiológicos, principalmente relacionados à transmissão da dengue.
“Começamos pela região de Joinville e Jaraguá do Sul. Depois houve ampliação para a Grande Florianópolis, Médio Vale do Itajaí, Oeste e, por fim, Foz do Rio Itajaí e Concórdia. As escolhas sempre se deram principalmente pelo critério epidemiológico”, detalhou.
Além disso, a baixa adesão inicial também influenciou a ampliação gradual da campanha.
“Como a procura ainda era baixa, foi possível ampliar para outras regiões e agora para todas elas”, acrescentou.
Ajustes na faixa etária
Durante a entrevista, o diretor esclareceu que, em algumas regiões, adolescentes de 15 e 16 anos chegaram a receber a primeira dose, devido à disponibilidade de vacinas. Esses jovens terão o esquema vacinal garantido.
“Esses adolescentes que receberam a primeira dose terão a garantia de completar o esquema, já que é uma vacina de duas doses, com intervalo de três meses”, afirmou.
Aumento de casos
João Fuck também alertou para o aumento das notificações de dengue e chikungunya em Santa Catarina. De acordo com o primeiro informe epidemiológico de 2026, divulgado na semana passada, os números preocupam.
“Quando a gente olha para a dengue, estamos vendo um aumento de cerca de 70% nas notificações em comparação com 2025. Para a chikungunya, o aumento é em torno de 50%”, destacou.
Segundo ele, as condições climáticas favorecem a proliferação do mosquito Aedes aegypti.
“Temperaturas elevadas e chuvas constantes criam um ambiente muito favorável para a reprodução do mosquito, e isso começa a se refletir no aumento de casos”, explicou.
Vacinação e responsabilidade da população
O diretor reforçou que a vacinação é uma ferramenta importante, mas não suficiente sozinha.
“A vacina é fundamental para reduzir a gravidade da doença, mas ainda cobre uma parcela pequena da população. Por isso, eliminar locais com água parada continua sendo essencial”, alertou.
Ele destacou que o combate à dengue exige uma ação conjunta entre poder público e população.
“O poder público tem sua responsabilidade, mas a população também tem um papel fundamental. É uma parceria. Não existe uma única ação que resolva o problema, é um conjunto de ações”, afirmou.
A vacina contra a dengue é gratuita e está disponível pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O diretor da Dive orienta que as famílias procurem informações junto aos municípios.
“A distribuição começou na sexta-feira. É importante buscar informações no município, saber quando a vacina chega e em qual unidade estará disponível”, orientou.
A Secretaria de Estado da Saúde reforça que a imunização, aliada à eliminação de focos do mosquito e à busca por atendimento médico em caso de sintomas, é fundamental para reduzir o impacto da dengue em Santa Catarina.
Confira entrevista completa