Mente em Sintonia aborda síndrome do impostor e os impactos da autossabotagem
Psicóloga Vanesa Baggio explica como perfeccionismo, procrastinação e dificuldade de reconhecer as próprias conquistas podem afetar a vida pessoal e profissional
O quadro Mente em Sintonia, do Jornal da Guarujá, recebeu na manhã desta quarta-feira (7) a psicóloga Vanesa Bagio para falar sobre a síndrome do impostor, fenômeno psicológico marcado pela dificuldade de reconhecer as próprias competências e conquistas.
Apesar do nome, a síndrome do impostor não é classificada como um transtorno mental específico. O fenômeno é estudado pela Psicologia e está relacionado a sentimentos persistentes de inadequação, dificuldade de aceitar o próprio sucesso e tendência a atribuir conquistas à sorte ou a fatores externos.
Durante a entrevista, Vanesa explicou que, ao receber um paciente com essas características, um dos primeiros passos é avaliar se os comportamentos estão associados a outros quadros.
“Primeiro, quando a gente faz o acompanhamento, é começar a ter entendimento se existe algum sintoma relacionado a outro tipo de transtorno. Eu gosto muito de entender desde a base, desde a infância, até o momento que esse meu paciente está vivendo”, explicou.
Entre os comportamentos que podem aparecer está o perfeccionismo. Segundo a psicóloga, a busca constante por um resultado perfeito pode provocar uma cobrança excessiva e contribuir também para a procrastinação.
“Se eu não fizer perfeito, eu não sou validado, eu não consigo atingir a minha meta. E ali eu relaciono se tem a ver com ansiedade, se a pessoa tem obsessão por organização, se vai procrastinar. O perfeccionismo leva a uma procrastinação”, afirmou.
A relação entre fenômeno do impostor, perfeccionismo e procrastinação também aparece em estudos sobre o tema.
Dificuldade para reconhecer as próprias conquistas
Vanesa destacou que uma das características mais marcantes é a dificuldade de reconhecer o próprio potencial. Mesmo diante de uma promoção, de um elogio ou de um resultado positivo, a pessoa pode acreditar que não possui capacidade suficiente ou que chegou até ali por acaso.
“Quando as pessoas chegam assim: ‘Ah, foi sorte, imagina’. Ela não se vê assim. Então eu pergunto: qual é o teu propósito? Onde tu queres chegar? E muitas vezes a pessoa não sabe, porque não consegue se ver adiante”, relatou.
A dificuldade também pode aparecer fora do ambiente profissional. Durante o programa, os participantes lembraram situações em que uma pessoa demonstra desconforto ao receber um elogio. Para Vanesa, essa reação pode revelar uma dificuldade em aceitar a própria imagem de maneira positiva.
“Não existe conforto quando é elogiado. Você já percebe que ela distorce a situação, já muda totalmente o foco porque ela não se vê”, explicou.
Psicoterapia pode ajudar a romper o ciclo
De acordo com Vanesa, o acompanhamento é construído gradualmente, ajudando o paciente a identificar comportamentos, reconhecer conquistas e modificar a forma como interpreta as próprias capacidades.
“De uma forma gradual, eu vou começar a colocar essa pessoa a entender e a se ver nas suas conquistas, no seu potencial”, afirmou.
A psicóloga explicou ainda que alguns pacientes apresentam outros quadros associados. Nesses casos, pode haver necessidade de avaliação de outros profissionais e, quando indicada clinicamente, utilização de medicamentos. Em outras situações, o acompanhamento pode ocorrer somente por meio da psicoterapia.
Para Vanesa, buscar ajuda antes que o sofrimento se intensifique pode facilitar esse processo. “A pessoa começa a tomar consciência das suas emoções. Ela começa a tomar consciência de que está se invalidando. Não é o outro que está invalidando ela”, destacou.
Para conhecer o trabalho da psicóloga, buscar orientações ou informações sobre atendimento, o contato pode ser feito pelo Instagram @vanesabagio.psi. Vanesa também realiza atendimentos presenciais no Edifício Cidade das Colinas, na Rua João Ramiro Machado, nº 321, sala 6, no Centro de Orleans, além de consultas on-line.
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