Deputado Rafael Pezenti analisa cenário político internacional, migração venezuelana e defende CPMI do Banco Master
Na manhã desta quinta-feira (8), o Jornal da Guarujá conversou com o deputado federal Rafael Pezenti (MDB-SC), que analisou a operação militar dos Estados Unidos que resultou na prisão do ditador venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. O parlamentar também comentou os reflexos da crise da Venezuela no Brasil e confirmou a assinatura do requerimento que pede a instauração da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Banco Master.
Ao falar sobre a prisão de Maduro, Pezenti afirmou que sua avaliação se baseia nos relatos de venezuelanos que deixaram o país por conta da repressão política e da crise econômica. Segundo ele, o regime foi responsável por perseguições, prisões políticas e empobrecimento da população.
“O posicionamento que eu tenho é com base nas pessoas com quem converso, que viveram tensões e repressões de um regime que matou muita gente, prendeu politicamente muitas pessoas e deixou na miséria um povo que vive sobre uma riqueza inigualável”, afirmou.
Para o deputado, a ação internacional atendeu ao desejo da população venezuelana, que, segundo ele, não teria condições de derrubar o regime apenas por meios internos.
“Basta conversar com um venezuelano que está no Brasil, fugindo desse regime autoritário, para perceber que o que aconteceu foi aquilo que o povo venezuelano queria que acontecesse”, disse.
Pezenti reconheceu que a operação foi dura, mas defendeu que, diante de uma ditadura, a força acaba sendo o único caminho possível.
“Não há outra maneira de combater uma ditadura senão por meio da força. Aquilo que os Estados Unidos fizeram tem o meu apoio, porque é o apoio que o próprio povo venezuelano tem”, declarou.
O parlamentar também comentou os reflexos da crise venezuelana no Brasil, especialmente no mercado de trabalho. Segundo ele, muitos venezuelanos ocuparam vagas em setores com dificuldade de contratação, mas esse movimento pode se inverter com a estabilização política no país vizinho.
De acordo com Pezenti, quando a situação da Venezuela melhorar, parte dos imigrantes deve retornar ao país de origem.
“É natural que essas pessoas voltem para suas casas, para viver com suas famílias. Teremos um fluxo migratório inverso”, avaliou. Ele acredita que o tema deve ganhar destaque no Congresso Nacional com o fim do recesso parlamentar.
CPMI do Banco Master
Rafael Pezenti confirmou que assinou o requerimento que pede a criação da CPMI do Banco Master, que pretende investigar supostas fraudes financeiras estimadas em mais de R$ 12,2 bilhões, além de possível envolvimento de agentes públicos.
“É uma treta que até agora tem pouca gente na cadeia, mas que deveria colocar muita gente poderosa na cadeia”, afirmou.
O deputado disse acreditar que a comissão será instalada com a retomada dos trabalhos no Congresso.
“Já temos assinaturas suficientes e, na volta do recesso, essa CPMI deve ser aberta. Muita coisa que hoje está escondida vai precisar vir à tona”, declarou.
Dosimetria e críticas ao STF
O parlamentar também comentou o projeto que trata da dosimetria das penas dos envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023. Embora tenha condenado o vandalismo, defendeu a individualização das condutas.
“Eu condeno atos de vandalismo, mas precisamos separar quem realmente tentou um golpe de quem agiu por efeito manada”, afirmou.
Pezenti disse acreditar que o veto do presidente Lula ao projeto será derrubado pelo Congresso e criticou a atuação do Supremo Tribunal Federal.
“Hoje, muitas decisões do Parlamento acabam sendo judicializadas. Precisamos rever esse modelo e discutir mudanças mais profundas”, concluiu.
Confira entrevista completa