Defesa Civil de Santa Catarina monitora avanço do El Niño e reforça alerta para o inverno
Meteorologista da Defesa Civil, Nicolle Reis, explica preparação do Estado e reforça medidas de prevenção
A previsão de formação do fenômeno El Niño acendeu um sinal de alerta em Santa Catarina. De acordo com a meteorologista da Defesa Civil estadual, Nicolle Reis, a tendência é de que os efeitos comecem a ser sentidos a partir de julho, com aumento no volume de chuvas e maior risco de alagamentos, enxurradas e deslizamentos.
Em entrevista ao Jornal da Guarujá nesta quarta-feira (6), Nicolle explicou que o fenômeno já vem sendo monitorado pelos órgãos responsáveis. “A gente já vem acompanhando esse cenário há bastante tempo. Os modelos indicam o desenvolvimento do El Niño no inverno, principalmente entre julho e agosto, com um aquecimento consistente do Oceano Pacífico”, afirmou.
Segundo ela, esse aquecimento altera o padrão climático e favorece a ocorrência de chuvas mais frequentes e intensas na região Sul do Brasil. “Isso acaba aumentando o risco de transtornos relacionados a eventos extremos, tanto pelo volume quanto pela intensidade das tempestades”, destacou.
A meteorologista informou ainda que o fenômeno não é o único fator determinante para eventos extremos. “Existe uma tendência de intensidade forte, mas o El Niño não atua sozinho. Outras variabilidades do clima também influenciam, por isso é importante acompanhar as atualizações”, explicou.
Apesar de não ser possível evitar o fenômeno, a Defesa Civil já atua em ações preventivas para reduzir impactos. Entre as medidas, estão o reforço no monitoramento, integração com outros órgãos e orientação à população. “A gente intensifica o acompanhamento e trabalha de forma integrada com instituições como a Epagri, além de reuniões periódicas para atualização dos cenários”, disse.
No campo prático, a recomendação é que tanto o poder público quanto a população adotem medidas simples de prevenção. “A limpeza de rios, calhas e sistemas de drenagem é fundamental para minimizar os impactos. São ações básicas que ajudam no escoamento da água quando ocorrem chuvas intensas”, orientou.
Nicolle reforça ainda que, embora a formação do fenômeno seja considerada praticamente certa, os impactos mais severos dependem de fatores que só podem ser identificados com maior proximidade dos eventos. “A gente não consegue dizer exatamente quando e onde um evento extremo vai acontecer. Isso é monitorado mais próximo da ocorrência”, pontuou.
Diante do cenário, a Defesa Civil segue ampliando a divulgação de informações e alertas para manter a população preparada. A orientação é acompanhar os comunicados oficiais e adotar medidas preventivas, especialmente em áreas de risco.
Com a aproximação do inverno e a possibilidade de intensificação do fenômeno na primavera, o foco agora é reduzir danos e garantir que o estado esteja preparado para enfrentar um período de maior instabilidade climática.
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