Audiência pública em São Ludgero debate futuro da indústria do plástico e economia circular
São Ludgero sediou, na sexta-feira (26), uma audiência pública da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal para discutir os impactos de projetos de lei que tratam da regulamentação dos plásticos de uso único no Brasil. O encontro, realizado na sede social da Cegero, reuniu empresários, trabalhadores, representantes da indústria, cooperativas de reciclagem, prefeitos e lideranças políticas de diversas regiões catarinenses.
A audiência integrou a mobilização “Transição Justa dos Plásticos para a Economia Circular” e teve como objetivo ampliar o debate sobre propostas que tramitam no Congresso Nacional e que podem afetar diretamente um dos setores que mais gera emprego e renda no Sul de Santa Catarina.
Entre as principais preocupações apresentadas durante o encontro estão projetos que propõem restrições ou até mesmo o banimento da fabricação de produtos plásticos de uso único, como copos, pratos, talheres e embalagens descartáveis. Para os participantes, o caminho mais adequado é fortalecer a reciclagem e ampliar a economia circular, mantendo a atividade industrial e reduzindo os impactos ambientais.
Descarte inadequado é o principal problema, diz Amin
Presente na audiência, o senador Esperidião Amin destacou que o debate não deve ser focado apenas no material, mas principalmente na forma como ele é descartado pela sociedade.
“Nós reconhecemos que existe um erro a corrigir, que é o descarte inadequado. Precisamos investir em educação, conscientização e gestão dos resíduos para reduzir esse problema.”
Segundo o senador, os municípios têm papel fundamental nesse processo, por meio de políticas públicas voltadas à educação ambiental, coleta seletiva e reciclagem. Amin também afirmou acreditar que o debate realizado em São Ludgero poderá contribuir para aperfeiçoar os projetos que tramitam no Congresso Nacional.
“Se exemplos concretos forem apresentados, a visão da pessoa muda. É isso que queremos levar ao Senado: soluções que preservem o meio ambiente sem prejudicar quem produz e gera empregos.”
Orleans apresenta projeto de economia circular
Durante o evento, o prefeito de Orleans, Fernando Cruzetta, apresentou o projeto de economia circular desenvolvido pelo município, aprovado pelo Ministério do Meio Ambiente. A proposta busca ampliar a coleta seletiva e garantir que os resíduos plásticos retornem ao processo produtivo.
Segundo o prefeito, o maior desafio ainda é conscientizar a população sobre a importância da separação correta dos resíduos.”O plástico não é lixo. Ele é um recurso, gera emprego, renda e pode voltar ao processo produtivo. O que precisamos é aumentar a conscientização da população e fortalecer a coleta seletiva.”
Cruzetta também destacou que Orleans saiu na frente ao desenvolver um projeto que demonstra, na prática, que o plástico pode ser reaproveitado, contribuindo para a preservação ambiental e para o fortalecimento da indústria regional.

Setor defende reciclagem em vez do banimento
Representando o Sindicato das Indústrias de Material Plástico do Sul Catarinense (Simplasc), o diretor Elias Caetano afirmou que a indústria reconhece a necessidade de melhorar a gestão dos resíduos, mas defende que a solução não está na proibição dos produtos.
Segundo ele, atualmente já existem tecnologias capazes de reciclar praticamente todos os tipos de plástico, inclusive aqueles considerados de difícil reaproveitamento.
“O plástico não é o problema. O desafio é garantir que ele seja descartado corretamente e volte para a cadeia produtiva por meio da reciclagem.”
Caetano ressaltou ainda que projetos desenvolvidos na região demonstram que praticamente todo material plástico pode ganhar uma nova destinação, reduzindo o impacto ambiental e fortalecendo a economia circular.
Outro ponto destacado durante a audiência foi a importância econômica da indústria do plástico para o Sul catarinense. Segundo representantes do setor, a região concentra mais de 200 empresas ligadas à cadeia produtiva, entre fabricantes, recicladoras e fornecedores, gerando milhares de empregos diretos e indiretos.
Os participantes defenderam que qualquer mudança na legislação seja construída com diálogo entre governo, setor produtivo, trabalhadores, cooperativas de reciclagem e sociedade, buscando soluções que conciliem preservação ambiental, geração de emprego e desenvolvimento econômico.
As contribuições apresentadas durante a audiência pública serão encaminhadas ao Senado Federal e devem subsidiar as discussões sobre os projetos que tratam da regulamentação dos plásticos de uso único no país.
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