Cooperativa de agricultores familiares será lançada no dia 21 em Orleans
Em entrevista ao Jornal da Guarujá, o secretário Guilherme Orbem explica a estruturação da cooperativa, criada em 2024, e o apoio aos produtores
Uma nova etapa para fortalecer a agricultura familiar e organizar a tradicional feira de produtores de Orleans será apresentada na sexta-feira (21). Às 7h, na Praça Celso Ramos, acontece o lançamento da cooperativa formada por agricultores familiares e artesãos do município que participam da feira realizada tradicionalmente nas manhãs de sexta-feira.
O assunto foi destaque no Jornal da Guarujá, que recebeu o secretário de Agricultura de Orleans, Guilherme Orbem. Segundo ele, a cooperativa foi criada no fim de 2024, mas a atual administração trabalha na estruturação da entidade para que ela possa, de fato, atuar na organização dos produtores e na comercialização.
“Não basta você criar o CNPJ. Você precisa pensar como cooperativista. Então você passa a atender não mais como pessoa física. A união é que vai fazer a força para que a gente possa se tornar competitivo e buscar mercado para que se tenha a comercialização mais eficiente desses nossos produtos”, explicou.
Atualmente, a cooperativa reúne mais de 30 integrantes e conta com a participação de produtores que já fazem parte da feira. A intenção é que a entidade passe a organizar a comercialização e também ajude a ampliar a variedade de produtos disponíveis aos consumidores.
De acordo com o secretário, uma das principais dificuldades enfrentadas atualmente pela feira é a falta de variedade de produtos. Segundo ele, quando o consumidor encontra apenas um ou dois tipos de produtos disponíveis, acaba optando pelo supermercado, onde consegue fazer todas as compras em um só lugar.
“Uma das dificuldades que eles vinham tendo era justamente essa falta de variedade. Às vezes, a pessoa chega à feira pensando em comprar alguns produtos, mas encontra apenas um ou dois. Aí ela pensa: ‘Vou ao mercado, porque lá vou encontrar tudo’. Então, essa diversificação é importante para trazer mais clientes para a feira”, explicou.
A proposta é permitir, inclusive, que nem todos os cooperados precisem permanecer presencialmente na feira durante todo o período. O produtor poderá deixar sua mercadoria para ser comercializada no espaço por outro integrante, mediante uma comissão. A ideia é garantir maior variedade sem exigir que cada agricultor esteja presente todas as sextas-feiras.
A Prefeitura de Orleans já iniciou o apoio à estruturação da cooperativa. Entre os equipamentos adquiridos estão notebooks, impressora, jalecos, toalhas e uma geladeira. Também está previsto um termo de fomento para o repasse de recursos destinados à compra de mesas dobráveis e expositores de vidro para produtos que precisam ser mantidos refrigerados.
Guilherme Orbem explica que o termo de fomento permite que a própria cooperativa faça as aquisições, dentro das regras estabelecidas para a utilização dos recursos. Segundo ele, isso possibilita que os produtores tenham maior autonomia para escolher produtos de qualidade e fazer a compra pelo melhor custo-benefício.
Outro ponto destacado pelo secretário é a possibilidade de participação da cooperativa em chamadas públicas para fornecimento de alimentos à merenda escolar. Por ser formada por agricultores familiares, a entidade pode ter preferência nos processos previstos para a aquisição da alimentação escolar, ampliando o mercado para os produtores.
“O objetivo do cooperativismo é tornar o pequeno produtor competitivo perante os grandes produtores”, afirmou.
A criação da cooperativa é uma demanda antiga entre os agricultores de Orleans. Segundo Orbem, embora a entidade tenha sido fundada em 2024, algumas etapas de organização não haviam sido concluídas. A partir disso, a Secretaria de Agricultura passou a trabalhar em parceria com a Epagri para orientar os produtores e estruturar o funcionamento da cooperativa.

Produtores de fumo relatam problema com florescimento precoce
Durante a entrevista, o secretário também falou sobre uma reunião realizada com produtores de fumo na comunidade de Invernada, em Grão-Pará. O encontro tratou de um problema registrado em uma determinada variedade de tabaco, que apresenta florescimento precoce.
Segundo Orbem, produtores da região encontraram plantas com apenas cinco ou seis folhas já apresentando flores, comprometendo o desenvolvimento da lavoura. Em alguns casos, agricultores precisaram eliminar as plantações porque não haveria produção suficiente.
“É um assunto bem delicado porque isso traz sérios impactos econômicos para os produtores e para os municípios onde o problema ocorreu”, afirmou.
A situação, conforme relatado na entrevista, está relacionada a sementes produzidas em 2025. Há produtores que utilizaram sementes de 2024 e não registraram o mesmo problema, inclusive em lavouras plantadas próximas.
Ainda não há uma conclusão sobre a origem do florescimento precoce. Entre as possibilidades que precisam ser investigadas estão problemas relacionados à semente, fecundação ou condições climáticas. Por isso, a orientação é que os agricultores afetados procurem as secretarias municipais de Agricultura ou os sindicatos dos trabalhadores rurais.
A recomendação também é reunir registros e provas do problema enquanto as lavouras ainda estão disponíveis. A intenção é documentar os casos e buscar esclarecimentos sobre a origem da ocorrência, além de avaliar posteriormente as medidas que poderão ser adotadas pelos produtores.
Segundo o secretário, o problema já é de conhecimento das administrações municipais envolvidas, do Governo de Santa Catarina e do Ministério da Agricultura. A mobilização busca reunir informações suficientes para identificar o que provocou o florescimento precoce e quais medidas poderão ser tomadas em relação aos prejuízos registrados pelos agricultores.
Confira entrevista completa