Mente em Sintonia: transtorno do pânico vai além da ansiedade e pode surgir sem motivo aparente
Psicóloga Vanesa Bagio explica como identificar uma crise, quais são os sintomas e por que o tratamento é fundamental
Toda última quarta-feira do mês, o Jornal da Guarujá recebe a psicóloga Vanesa Bagio no quadro Mente em Sintonia. Nesta edição, o tema foi o transtorno do pânico, um problema que afeta milhares de pessoas e que, muitas vezes, é confundido com uma crise de ansiedade. Durante a entrevista, a psicóloga explicou como a condição se manifesta, quais são os principais sintomas e a importância de buscar ajuda profissional.
Segundo Vanesa, o transtorno do pânico é caracterizado por um medo intenso que surge sem uma causa identificável naquele momento, diferentemente da ansiedade, que normalmente está relacionada a preocupações com o futuro ou situações específicas.
“A pessoa simplesmente começa a ter a crise. Ela entra em pânico e não consegue identificar o motivo. Não precisa existir um gatilho aparente. O primeiro pensamento que vem é de que ela vai morrer.”
A psicóloga explica que, durante uma crise, é comum a pessoa acreditar que está sofrendo um infarto ou outro problema grave de saúde.
“Ela chega ao pronto atendimento dizendo que não consegue respirar. É uma sensação muito forte de falta de ar e de que algo muito grave está acontecendo.”
Ansiedade e pânico não são a mesma coisa
Embora compartilhem alguns sintomas físicos, Vanesa destaca que há diferenças importantes entre os dois transtornos. Enquanto a ansiedade costuma estar ligada a preocupações ou acontecimentos futuros, o transtorno do pânico pode surgir de forma inesperada.
“Na ansiedade existe sempre uma preocupação. No transtorno do pânico, a pessoa pode estar dirigindo, trabalhando ou até participando de uma palestra quando, de repente, a crise começa sem nenhum motivo aparente.”
Segundo ela, o problema pode estar relacionado a traumas, situações mal resolvidas do passado, interrupção inadequada de medicamentos ou até mesmo ao consumo excessivo de estimulantes, como cafeína e energéticos.
Entre os principais sintomas estão falta de ar, coração acelerado, suor excessivo, tremores, tensão muscular, dor no peito e a sensação de morte iminente.
“Quanto mais a pessoa acredita que algo grave vai acontecer, mais o corpo reage e mais intensos ficam os sintomas.”
Sem tratamento, o transtorno do pânico pode comprometer a rotina e fazer com que a pessoa evite locais onde já teve uma crise.
“Ela começa a evitar supermercados, restaurantes, reuniões de família, ambientes de trabalho e até dirigir, por medo de passar novamente por aquela situação.”
Esse comportamento pode resultar em isolamento social, dificuldade para trabalhar e prejuízos na qualidade de vida.
Tratamento faz diferença
Vanesa ressalta que o transtorno do pânico tem tratamento e que a psicoterapia é uma importante aliada para identificar as causas do problema. Em muitos casos, também é necessário o acompanhamento com um médico psiquiatra para avaliação do uso de medicamentos.
A psicóloga ainda alerta para que nenhuma medicação seja interrompida sem orientação médica, já que a suspensão abrupta pode desencadear novas crises.
Ao falar sobre como familiares podem ajudar, ela orienta que o mais importante é oferecer apoio e acolhimento.
“Quem está em uma crise realmente acredita que vai morrer. Estar ao lado da pessoa, transmitir segurança e buscar ajuda quando necessário faz toda a diferença.”
Para conhecer mais sobre o trabalho da psicóloga Vanesa Bagio, obter orientações sobre saúde mental ou agendar uma consulta, o contato pode ser feito pelo Instagram @vanesabagio.psi ou no consultório localizado no Edifício Cidade das Colinas, na Rua João Ramiro Machado, nº 321, sala 6, no Centro de Orleans.