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Médicos do Hospital Materno Infantil Santa Catarina estão há dois meses sem receber salários e sindicato anuncia medidas

Profissionais acumulam cerca de R$ 4 milhões em honorários atrasados; categoria estuda paralisação assistencial e cobrará esclarecimentos em audiência pública

Por Rádio Guarujá10/07/2026 11h48

Médicos que atuam no Hospital Materno Infantil Santa Catarina, em Criciúma, estão há dois meses sem receber pelos serviços prestados. Diante da situação, o Sindicato dos Médicos da Região Sul Catarinense (Simersul) realizou uma assembleia nesta semana e definiu uma série de medidas para cobrar o pagamento dos honorários e buscar esclarecimentos sobre a situação financeira da unidade.

Ao Jornal da Guarujá, a presidente do sindicato, Cristiane Coral, informou que aproximadamente 130 médicos são afetados pelos atrasos, que somam cerca de R$ 4 milhões referentes aos meses de abril e maio.

Apesar da falta de pagamento, ela destaca que os profissionais continuam trabalhando normalmente para garantir o atendimento à população. “Esses profissionais, mesmo sem receber seus honorários, não deixaram de cumprir suas escalas de plantão. Isso demonstra o compromisso ético desses médicos, mas é uma realidade muito triste. Na nossa assembleia havia médicos que já passaram por essa mesma situação três vezes no Hospital Santa Catarina”, afirmou.

De acordo com Cristiane Coral, os atrasos são referentes ao período em que o hospital era administrado pelo Instituto de Desenvolvimento, Ensino e Assistência à Saúde (Ideas), responsável pela unidade até o fim de maio.

Como os pagamentos são realizados no mês seguinte ao trabalho prestado, os médicos deixaram de receber pelos serviços realizados em abril e maio.

Desde 1º de junho, a gestão do hospital passou para a Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Bernardo do Campo, vencedora da nova licitação.

A expectativa do sindicato é que os pagamentos referentes ao período da nova gestão sejam regularizados.

Sindicato define três medidas

Após a assembleia, o sindicato definiu três encaminhamentos para buscar uma solução para o impasse. O primeiro é solicitar uma audiência pública na Câmara de Vereadores de Criciúma para dar transparência ao caso. “Queremos apresentar os fatos, ouvir todos os envolvidos e permitir que a sociedade compreenda exatamente o que está acontecendo dentro do hospital”, explicou a presidente.

Também será encaminhado um ofício ao Ministério Público solicitando uma audiência sobre o tema.

A segunda medida será a organização de uma paralisação assistencial, respeitando as normas éticas da profissão. Segundo Cristiane Coral, esse tipo de paralisação não significa interrupção total dos atendimentos. “O médico não pode simplesmente parar. Precisamos garantir a manutenção dos atendimentos de urgência e emergência. Todas as medidas serão tomadas junto ao Conselho Regional de Medicina antes de qualquer paralisação.”

Por fim, o sindicato abrirá uma sindicância para analisar contratos e informações financeiras da gestão anterior. O objetivo é entender se os recursos repassados pelo Governo do Estado eram suficientes para manter o funcionamento da unidade e identificar as causas dos atrasos. “O governo informa que repassou todos os recursos devidos ao Ides. Já o Ides afirma que os valores não eram suficientes para manter a gestão. Precisamos esclarecer onde está o problema.”

Situação preocupa profissionais

Cristiane Coral afirmou que o contato com representantes do Ideas tem sido difícil e que até mesmo a Secretaria de Estado da Saúde tenta negociar a liberação de recursos para quitar parte dos débitos.

Ela também chamou atenção para o impacto financeiro sobre os médicos. “Tem médicos que têm o hospital como único vínculo de trabalho. Eles dependem inteiramente desses honorários para sustentar suas famílias. É uma situação muito delicada.”

A presidente do sindicato disse ainda que a categoria pretende discutir mecanismos para evitar que situações semelhantes se repitam em futuras trocas de gestão. “Há profissionais que estão passando por isso pela terceira vez. Precisamos pensar em mecanismos que garantam mais segurança aos médicos e também à população, para que o atendimento não seja comprometido.”

Enquanto aguarda uma solução, o sindicato afirma que continuará acompanhando o caso e prestando apoio aos profissionais que seguem atuando normalmente no Hospital Materno Infantil Santa Catarina.

Confira entrevista completa:

https://www.youtube.com/watch?v=Q67ICdTVJOo

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