Senadores pedem prisão domiciliar humanitária para Bolsonaro; Jorge Seif aponta perseguição política e agravamento da saúde
Um grupo de cerca de 24 senadores encaminhou, na semana passada, um abaixo-assinado ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), solicitando a concessão de prisão domiciliar humanitária ao ex-presidente Jair Bolsonaro. O pedido tem como base o estado de saúde do ex-presidente e é assinado por parlamentares de diferentes estados, entre eles o senador Jorge Seif (PL-SC).
Em entrevista ao Jornal da Guarujá, Seif afirmou que Bolsonaro reúne uma série de condições que justificariam a medida. Segundo o senador, o ex-presidente é idoso, passou por diversas cirurgias e apresenta um quadro de saúde que vem se agravando nos últimos meses.
“O presidente Bolsonaro é uma pessoa idosa, sofreu uma tentativa de assassinato em 2018, já passou por mais de oito cirurgias, e nós temos visto a saúde dele se degradando. A última cirurgia, inclusive, já aconteceu com ele preso”, afirmou.
O senador também questionou as acusações que levaram à prisão do ex-presidente, especialmente a investigação relacionada à tentativa de golpe de Estado. Para Seif, não há elementos que sustentem a tese.
“Como falar em golpe de Estado de uma pessoa que estava nos Estados Unidos? Um golpe sem arma, sem tanque, sem sangue, num domingo em que todas as autoridades estavam de recesso. É um golpe que nós sabemos que é fake”, declarou.
De forma indireta, Seif avaliou que Bolsonaro não oferece risco à ordem pública nem possibilidade de fuga, o que, em sua visão, reforça a viabilidade da prisão domiciliar. Ele destacou que o pedido encaminhado ao STF já conta com cerca de 24 assinaturas.
“Qual é a possibilidade de ele fugir? Ele não tem condição física para isso. O que estamos pedindo é que ele fique em casa, com a família, com acompanhamento médico e de enfermeiros”, disse.
Durante a entrevista, o senador relatou preocupação com episódios recentes envolvendo a saúde de Bolsonaro dentro da unidade onde está preso. Segundo ele, houve demora no acionamento de atendimento médico após uma queda sofrida pelo ex-presidente.
“Depois desse acidente dentro da cela, demorou demais para chamar a equipe médica. Isso mostra uma leniência (lentidão) do Estado com a saúde dele. Ele bateu com a cabeça, está tossindo muito, vomitando muito, está num estado de saúde gravíssimo”, afirmou.
Seif comparou a situação de Bolsonaro com a de outros ex-presidentes que, segundo ele, receberam tratamento mais flexível da Justiça. Citou o caso de Fernando Collor de Mello, que teve prisão domiciliar concedida por questões de saúde.
“O Collor foi condenado por corrupção, tinha um quadro de saúde bem mais leve do que o do Bolsonaro, e mesmo assim teve a prisão domiciliar concedida. Então, o que estamos pedindo não é nada absurdo”, argumentou.
Questionado sobre a possibilidade de o ministro Alexandre de Moraes atender ao pedido, Seif disse que, apesar das divergências, ainda há expectativa de uma decisão favorável.
“Nós precisamos acreditar. Mesmo sabendo da animosidade e da perseguição visível contra o presidente Bolsonaro, é importante que esse pedido esteja na mesa do ministro”, afirmou.
O senador também citou publicações recentes da família Bolsonaro que mostram o ex-presidente passando mal, com dificuldades para se alimentar, o que, segundo ele, evidencia o impacto físico e psicológico da prisão.
“A injustiça mexe com o emocional de qualquer pessoa e isso acaba refletindo na saúde. Nós tememos, sinceramente, pela vida do presidente se ele continuar preso nessas condições”, disse.
Ao final da entrevista, Jorge Seif reforçou que os senadores estão limitados às vias institucionais e que a decisão cabe exclusivamente ao Judiciário, embora considere o tratamento dado ao ex-presidente inadequado.
“Não dá para compreender como demora quase duas horas para acionar uma equipe médica após a queda de um ex-presidente dentro da Polícia Federal, em Brasília, cercado de hospitais. Isso me parece abandono e descaso do Estado brasileiro”, concluiu.
Confira entrevista completa