Chiodini nega mágoa com governo e diz que saída foi decisão política
Presidente do MDB afirma que deixou a Secretaria da Agricultura após mudança no acordo político e reforça que partido só discute alianças se estiver na majoritária
O deputado federal Carlos Chiodini, presidente do Movimento Democrático Brasileiro (MDB) em Santa Catarina, falou ao Jornal da Guarujá na manhã desta sexta-feira (20) sobre sua saída do Governo do Estado, os rumos do partido nas eleições de 2026 e o cenário político catarinense.
Ex-secretário de Estado da Agricultura, Chiodini deixou o governo após o anúncio de uma nova composição política por parte do governador, que indicou o prefeito de Joinville, Adriano Silva, como nome para vice. Nos bastidores, circularam rumores de que o deputado teria ficado desgostoso com a situação e, por isso, retornado à Câmara Federal.
“Eu fiz parte do governo durante um ano, um trabalho muito forte na Secretaria da Agricultura, um trabalho de reestruturação da Secretaria, o lançamento de novos programas de uma área tão importante aqui em Santa Catarina, que representa nada mais e nada menos de 30% do nosso PIB e de tudo que a gente produz, além de ser quase mais de 60% das nossas exportações.”
Segundo Chiodini, a decisão de deixar o governo foi política. “Por uma questão política e pelo fato de acumular a presidência do MDB de Santa Catarina, e nós termos um distrato unilateral do que foi alinhado, eu não tinha mais como ficar no governo. Então, comuniquei o governador, voltei ao meu mandato de deputado federal para continuar o trabalho em prol de Santa Catarina, mas nessa função e me dedicar à função de presidência do partido nesse período que antecede as eleições.”
Ele ressaltou que o calendário eleitoral impõe prazos curtos. “São agora poucos meses que limitam o prazo de filiação, que é 2 de abril, e logo, logo nós já temos as convenções partidárias.”
MDB faz encontros regionais e avalia cenário
Chiodini destacou o desempenho recente do partido. “O MDB é um partido expressivo. Nós somos o partido, sem dúvida alguma, com maior capilaridade em Santa Catarina. Tivemos um bom resultado na eleição de 2024, fomos o partido que mais elegeu vereadores, o segundo partido que mais elegeu prefeitos.”
Ele afirmou que havia o encaminhamento de uma composição majoritária com o atual governador, mas o cenário mudou. “Tínhamos o encaminhamento de uma composição majoritária na coligação do atual governador, que preferiu tomar um outro caminho.”
Diante disso, o MDB iniciou uma série de encontros regionais. “Dessa forma, nós estamos agora, sem tomar decisão precipitada alguma, fazendo uma série de encontros regionais. Inclusive, eu estou indo de Concórdia a Campos Novos nesse momento, que nós realizaremos o quarto encontro regional, ouvindo a nossa militância e trocando impressões do que eles imaginam para Santa Catarina, para o MDB, qual o seu espectro político, e assim a gente possa encaminhar o partido a um projeto vencedor nessas eleições.”
Ele ainda observou que o calendário está apertado: “No final das contas, nós já estamos chegando no mês de março e, logo, logo, as eleições estão batendo à nossa porta.”
Sobre a informação de que haveria uma inclinação do MDB em não estar com o atual governo na campanha de reeleição, o deputado negou que haja decisão tomada.
“O partido pode estar com a composição política do governo. O governo é uma questão pública, não vai para a eleição. Digo, os partidos que estão no governo não têm problema algum e podem fazer diálogo.”
No entanto, fez uma ressalva clara: “O ponto de partida: nós não sentaremos à mesa como MDB se não estivermos na majoritária. Isso é em respeito à nossa história, à tradição e à quantidade de votos e ao trabalho que o MDB realizou em Santa Catarina.”
Segundo ele, a condição acabou inviabilizando, até o momento, um avanço nas conversas com o atual governo e abriu espaço para diálogo com outras siglas. “Isso, de certa forma, inviabilizou esse tipo de conversa e proporcionou conversa com diversos outros partidos que têm nos procurado.”
Chiodini confirmou que o Partido Social Democrático (PSD), liderado em Santa Catarina pelo prefeito de Chapecó, João Rodrigues, foi um dos partidos que procuraram o MDB. “Foi um dos partidos, assim como a Federação União Progressistas e outros partidos da cena política.”
Futuro político e eleição presidencial
Sobre uma eventual candidatura à reeleição, Chiodini afirmou que ainda avalia o cenário. “Eu ainda estou analisando, de fato, me dedicando 24 horas à presidência do partido, até deixando os meus projetos pessoais nesse momento de lado. Eu já estou no meu quinto mandato. Tenho uma boa relação e uma boa reeleição a deputado federal, mandato que eu gosto muito.”
Ele reforçou que a prioridade, agora, é definir o rumo do MDB em Santa Catarina. “Isso agora eu deixei em segundo plano para a gente primeiro resolver esse caminho que o MDB vai tomar.”
No plano nacional, o deputado lembrou que o MDB teve candidatos próprios nas duas últimas eleições presidenciais: Henrique Meirelles, em 2018, e Simone Tebet, em 2022.
“Se você lembrar, nas últimas duas eleições, em 2018, o MDB teve um candidato próprio, foi o Henrique Meirelles. Em 2022, a senadora Simone Tebet, que ficou em terceiro lugar nas eleições presidenciais.”
Para 2026, ele defendeu uma posição mais estratégica. “Eu dei uma opinião minha, isso ainda está um pouco distante: o MDB deve manter um papel de não coligar com nenhuma das candidaturas, como na última eleição já fez o PSD e outros partidos Brasil afora, não estar em nenhuma proposta majoritária e se focar nas suas eleições proporcionais, colocando mais deputados federais, deputados estaduais, governadores, e liberando os estados para que eles estejam no palanque onde tiver mais afinidade e mais força regional.”
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